“O empreendimento de Santa Maria, na ilha do Sal, passou para uma nova fase após uma operação que envolveu cerca de mil imóveis e créditos bancários de 95 milhões de euros. A futura exploração turística deverá ampliar a atividade já existente no complexo.”
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- 🏘️ Nova gestão: A Tourism Development Cape Verde assumiu uma posição maioritária no Vila Verde Resort.
- 💶 95 milhões de euros: É o capital da dívida bancária envolvida na operação, não o preço pago pela aquisição.
- 🏨 2027: Está prevista uma nova operação turística com cerca de 450 unidades e mais de mil camas.
- 🔑 Proprietários privados: Segundo as informações divulgadas, os seus direitos de propriedade mantêm-se inalterados.
Uma nova fase para o Vila Verde
Um dos maiores empreendimentos imobiliários e turísticos da ilha do Sal mudou de controlo. A Tourism Development Cape Verde, S.A. (TDCV) assumiu uma posição maioritária no Vila Verde Resort, em Santa Maria, após um processo negocial que se prolongou por quase dois anos.
Segundo informações divulgadas pelo jornal A Nação esta terça-feira, 13 de outubro, a operação envolveu a aquisição de cerca de mil frações imobiliárias e de uma carteira de créditos bancários associados ao empreendimento.
O complexo ocupa aproximadamente 45 hectares e integra mais de 1.260 unidades habitacionais, entre apartamentos e moradias, incluindo imóveis pertencentes a proprietários particulares cabo-verdianos e estrangeiros.
A nova gestão já iniciou intervenções nas infraestruturas e áreas comuns, enquanto prepara uma nova fase de comercialização imobiliária e exploração turística.
O turismo já existia: o que poderá mudar em 2027?
Apesar dos planos anunciados para 2027, o Vila Verde não é um empreendimento completamente afastado da atividade turística.
O grupo português Água Hotels assumiu a exploração hoteleira e a administração de condomínios em 2015, através da unidade Água Hotels Sal Vila Verde.
O empreendimento continua identificado no sítio oficial do grupo, que apresenta uma oferta de aproximadamente 200 unidades de alojamento.
O novo plano divulgado pela TDCV prevê uma operação turística com cerca de 450 unidades habitacionais e capacidade superior a mil camas, incluindo alojamento, restauração e animação.
A empresa está a trabalhar na contratação de um operador hoteleiro internacional, mas ainda não foi anunciada uma escolha definitiva.
Permanece por esclarecer de que forma o novo projeto será articulado com a operação do Água Hotels e se implicará uma substituição, integração ou reorganização da gestão hoteleira existente.
Uma história financeira que começou há 20 anos
O Vila Verde começou a ser desenvolvido em 2006 pela Tecnicil, com financiamento do antigo Banco Espírito Santo (BES).
As crises financeiras de 2007 e 2011 comprometeram o desenvolvimento do projeto e agravaram as dificuldades da promotora imobiliária.
Segundo o jornal económico português ECO, a dívida histórica da Tecnicil ao BES ascendia a aproximadamente 92,9 milhões de euros.
Com a resolução do BES, em agosto de 2014, a exposição bancária passou para o Novobanco, que tentou posteriormente vender os ativos associados ao empreendimento.
Em 2019, uma primeira tentativa de alienação não se concretizou. Novas iniciativas foram anunciadas em 2022 e 2025.
Quem vendeu os imóveis e quanto custou a operação?
De acordo com a informação recolhida pelo jornal A Nação, a TDCV concluiu, em maio de 2026, a aquisição de cerca de mil frações autónomas à Tecnicil Imobiliária.
Dois meses depois, em julho, finalizou a compra ao Novobanco da carteira de créditos associada a esses imóveis, garantida por hipotecas.
Existe, contudo, um aspeto do histórico patrimonial que não está inteiramente esclarecido nas informações públicas: em 2022, o ECO havia noticiado que a Tecnicil entregara imóveis à banca para amortizar a dívida. A documentação das novas transações não foi divulgada, pelo que não é possível reconstituir integralmente a titularidade dos ativos nas diferentes fases do processo.
A carteira adquirida pela TDCV apresentava, segundo A Nação, cerca de 95 milhões de euros de capital em dívida, acrescidos de juros acumulados.
Este valor difere dos 92,9 milhões de euros de dívida histórica anteriormente referidos pelo ECO. São montantes reportados em momentos diferentes, sem informação pública suficiente para explicar a evolução do saldo.
Os cerca de 90 milhões de euros mencionados nas anteriores tentativas de venda correspondiam, por sua vez, ao valor indicativo dos ativos colocados no mercado.
O preço efetivamente pago pela TDCV não foi divulgado.
Segundo A Nação, a estruturação financeira da operação contou com Francisco Ferreira, antigo responsável do Intercontinental Investment Bank, e Victor Fidalgo, antigo presidente da Cabo Verde Investimentos, ambos identificados como acionistas e participantes financeiros.
O financiamento complementar envolveu o Banco Comercial do Atlântico e o Banco BAI Cabo Verde.
O que muda para os proprietários?
A nova fase do Vila Verde inclui intervenções nas infraestruturas comuns, manutenção preventiva, eficiência energética, segurança e controlo de acessos.
Foi também constituída uma comissão de gestão dos condomínios e anunciado um novo modelo de comunicação com os proprietários.
Segundo as informações divulgadas, a transação não altera os direitos de propriedade dos particulares que já possuem imóveis no complexo.
A TDCV iniciou, entretanto, a comercialização de parte dos imóveis adquiridos, destinados a residência permanente, segunda habitação ou investimento.
A futura exploração turística poderá igualmente integrar apartamentos de proprietários particulares que pretendam disponibilizá-los para alojamento, mediante condições ainda não conhecidas.
Entre as questões por esclarecer estão os custos da nova gestão dos condomínios, as condições de participação no programa turístico, a identidade do futuro operador e o calendário detalhado dos investimentos.
A reorganização do Vila Verde poderá trazer uma nova dinâmica ao mercado imobiliário e turístico de Santa Maria. Para os proprietários e potenciais investidores, porém, será sobretudo a concretização das obras e a definição das condições de gestão e exploração que permitirão avaliar os resultados desta nova fase.
Caboverde24.info
Fontes: A Nação; ECO; Água Hotels.





































