Potencial impacto dos recursos em obras sociais e infraestrutura
Em 14 de agosto de 2025, o Governo de Cabo Verde concedeu mais um aval à TACV no valor de 583 milhões de escudos cabo-verdianos (aproximadamente 5,3 milhões de euros), destinado ao leasing operacional de uma aeronave Boeing B737-8. Esta decisão amplia ainda mais o total de avales que a companhia aérea recebeu ao longo dos anos.
Até 2025, a TACV acumulou avales estatais que ultrapassam os 6,5 mil milhões de escudos cabo-verdianos, o equivalente a cerca de 60 milhões de euros. Esses avales abrangem empréstimos bancários e contratos de leasing essenciais para o funcionamento da companhia, cujo estado financeiro permanece delicado.
Estes números fazem parte de um universo mais amplo, no qual as garantias estatais a empresas públicas em Cabo Verde superam 196 mil milhões de escudos (aproximadamente 178 milhões de euros). Contudo, a TACV não conseguiu atingir um equilíbrio financeiro sustentável, encontrando-se em estado de realistica falência técnica, uma situação que se repete em outras empresas públicas do país.
O último relatório de contas público da TACV disponível remonta a 2020, com dificuldades para acessar relatórios financeiros mais recentes detalhados, o que reflete a transparência limitada da empresa. A situação financeira fragilizada reforça a necessidade urgente de uma revisão profunda do modelo operacional e financeiro da TACV.
Se o montante total dos avales recebidos pela TACV fosse redirecionado para obras sociais, Cabo Verde poderia usufruir de melhorias significativas, tais como a construção e modernização de hospitais, ampliação da rede de saneamento e abastecimento de água, construção de milhares de habitações sociais, além de investimento substancial na educação com novas escolas e centros de formação técnica.
Paralelamente, o mercado aéreo cabo-verdiano tem sido marcado pela entrada de companhias aéreas low cost internacionais, que atualmente operam várias rotas em Cabo Verde e asseguram conexões aéreas fundamentais, incluindo países da diáspora cabo-verdiana. Essa competição reduz ainda mais as possibilidades de recuperação financeira da TACV, que perdeu participação e relevância no setor.
Assim, a manutenção da TACV com novos financiamentos públicos implica uma pressão financeira significativa no orçamento do Estado, prolongando a dependência dessa companhia do apoio estatal. Sem um plano claro de sustentabilidade, o risco é o agravamento da situação fiscal do país.
Cabo Verde enfrenta o desafio de reavaliar o papel da TACV no cenário nacional, buscando alternativas que equilibram a conectividade aérea necessária e o uso eficiente dos recursos públicos para investimentos que tragam impacto social direto e duradouro para a população. Persistir no modelo atual pode atrasar o desenvolvimento socioeconômico desejado, tornando imprescindível a busca por soluções mais sustentáveis e eficazes para o futuro da aviação e do país.
Cabo Verde24




































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