“Com um post publicado nas redes sociais, a Pagina Facebook “Provedor da Praia CV” comunicou oficialmente o encerramento das suas atividades, marcando o fim de quase uma década de atuação dedicada à defesa dos direitos dos cidadãos da cidade da Praia e à denúncia de problemas comunitários”
No comunicado de despedida, os administradores destacaram o esgotamento emocional diante da falta de mobilização efetiva da sociedade civil, manifestando frustração após o insucesso da última manifestação convocada para protestar contra as empresas de gestão da eletricidade, episódio considerado determinante para a decisão de fechar o projeto.
Trajetória e propósito
Criada há cerca de dez anos, a “Provedor da Praia CV” construiu uma reputação sólida como importante canal de cidadania ativa. O objetivo era claro: dar voz às preocupações e angústias da população, denunciar injustiças, divulgar falhas e desafios coletivos, e pressionar as autoridades por mudanças reais. Ao longo deste período, a página, apartidária e independente, funcionou como plataforma de partilha de queixas, relatos anónimos e mobilização comunitária, contando com o apoio de mais de 6.800 seguidores nas redes sociais.
Graças a esse esforço coletivo, muitos problemas urgentes da cidade foram denunciados e solucionados. Entretanto, segundo frisam os responsáveis no último post publicado, o peso da luta cívica tornou-se insustentável para um grupo restrito, sobretudo face à “passividade” dos cidadãos que, apesar das constantes queixas, não se envolvem de modo presencial nas causas públicas.
O fracasso da manifestação e o esgotamento
No dia 30 de setembro, a página convocou a população para uma manifestação autorizada contra a EDEC — empresa gestora dos serviços de eletricidade — agendada para as 17h na Praça Alexandre de Albuquerque. O apelo era incisivo: “Trata-se de defender os direitos básicos dos cidadãos”, dizia o post, incentivando todos a, tal como em outras ilhas, demonstrarem a sua capacidade de exigir direitos no espaço público. Contudo, a mobilização foi fracassada, com uma adesão mínima, reforçando a sensação de isolamento dos líderes do movimento.
No anúncio de despedida, esse episódio surge como ponto de viragem: “Não podemos continuar a ser os únicos a remar contra a maré enquanto os outros observam. Por isso, anunciamos que o Provedor da Praia CV chegou ao seu fim e não há volta a dar!”, referem, citando também o desgaste e a frustração acumulados ao longo dos anos.
Legado e reflexão
Apesar das dificuldades e do encerramento, o legado da “Provedor da Praia CV” não se esgota. A página deixa um exemplo de cidadania participativa e ativismo digital em Cabo Verde, sinalizando a importância de plataformas independentes para a denúncia e pressão social. Fica também um alerta sobre os limites do ativismo virtual e o desafio recorrente de converter a indignação expressa nas redes sociais em mobilização concreta e transformação real.
A experiência encerra-se, mas o debate sobre como envolver a sociedade de forma mais ativa na defesa dos seus direitos — especialmente numa conjuntura de serviços públicos críticos e insatisfação recorrente — permanece aberto, desafiando novas formas de engajamento e pressão cidadã.
Cabo Verde24
Fonte: Análise da Página Facebook “Provedor da Praia CV”
Imagem da capa do artigo aprimorada com IA







































