“A Coris Holding lança oferta pública de aquisição sobre os restantes 40,19% do capital do Banco Comercial do Atlântico, fixando o preço em 14.918 escudos por ação — uma operação que marca uma nova era para o maior banco do país.”
O prospeto da operação foi publicado pela Bolsa de Valores de Cabo Verde, onde o BCA está cotado, e define que a oferta incide exatamente sobre 532.413 ações.
Trata-se de um passo obrigatório à luz da legislação cabo-verdiana do mercado de capitais: ao adquirir uma participação maioritária numa sociedade cotada em bolsa, o novo acionista de controlo é obrigado a lançar uma OPA sobre o restante capital em circulação, dando assim a opção de saída a todos os pequenos investidores.
O preço e as condições da oferta
A contrapartida da oferta foi fixada em 14.918 escudos cabo-verdianos por ação. A liquidação financeira está prevista para o dia 5 de junho, o dia seguinte ao encerramento da OPA.
As ordens de aceitação e venda podem ser submetidas através da plataforma Blu-X, na aba IPO | Emissões, ou junto dos bancos operadores.
A oferta não se encontra sujeita a condições mínimas de aceitação e não fixa um número máximo de ações a adquirir. A operação é intermediada pelo próprio Banco Comercial do Atlântico, sediado na cidade da Praia.
Como chegámos até aqui
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) formalizou a venda de 59,81% do capital social do BCA em fevereiro de 2026, num processo anunciado originalmente em 14 de março de 2024 e que recebeu a decisão de não-oposição do Banco de Cabo Verde em novembro de 2025.
A participação do grupo bancário português foi alienada por um preço global de 82 milhões de euros, representando uma mais-valia para a CGD de 19,3 milhões de euros.
Quem é a Coris Holding?
A Coris Holding é o segundo maior grupo bancário da União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA), com mais de 3.000 funcionários e mais de um milhão de clientes em dez países africanos.
A sociedade, com sede em Ouagadougou, no Burkina Faso, foi criada em 2008 e é proprietária do Coris Bank International, que conta com mais de 160 agências em 69 cidades africanas.
O grupo é liderado pelo empresário burquinabê Idrissa Nassa, que declarou que a entrada em Cabo Verde tem como objetivo apoiar os agentes económicos cabo-verdianos e reforçar as trocas comerciais entre o arquipélago e o resto do continente africano.
O foco declarado da operação é reforçar o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas (PME) em Cabo Verde, num contexto em que as limitações de capital têm sido um obstáculo recorrente ao crescimento do tecido empresarial local.
O que muda para os clientes do BCA?
A gestão do banco assegurou que a transição será transparente e que os clientes não sentirão perturbações nas operações do dia a dia. Herminalda Rodrigues, que assumiu a presidência da Comissão Executiva do banco após a mudança de acionista, afirmou que o grande desafio para os próximos anos é consolidar o BCA como o líder incontestável do mercado, reconhecido pela excelência no serviço e pela qualidade das soluções oferecidas.
A CGD, que esteve ligada ao BCA por mais de duas décadas, manterá a sua presença em Cabo Verde através do Banco Interatlântico, garantindo assim alguma continuidade da relação luso-cabo-verdiana no setor financeiro.
O que significa esta OPA para os pequenos acionistas?
Para quem detém ações do BCA na Bolsa de Valores de Cabo Verde, esta OPA representa uma janela de liquidez: a oportunidade de vender os títulos a um preço fixo e garantido, sem necessidade de encontrar comprador no mercado secundário. O preço de 14.918 escudos por ação é o valor final que a Coris Holding está disposta a pagar. Cabe a cada acionista avaliar se aceita ou se prefere manter a sua posição no banco — agora sob gestão africana e com novos horizontes estratégicos.
Recordamos que o BCA é o maior banco comercial de Cabo Verde, fundado em 1993 após a separação das funções de banca comercial do Banco de Cabo Verde. Após mais de vinte anos sob o controlo da Caixa Geral de Depósitos, a Coris Holding concluiu a aquisição de 59,81% do seu capital em janeiro de 2026 por 82 milhões de euros. Como novo acionista maioritário, o grupo cumpre agora a obrigação legal de lançar esta OPA sobre os restantes 40,19% das ações, ativa até 4 de junho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte: Jornal Económico / Bolsa de Valores de Cabo Verde



















