“A Royal Air Maroc cancelou as ligações para os Camarões, deixando o atleta nacional sem alternativa viável dentro do orçamento disponível”
Uma ausência forçada, não desejada
Cabo Verde não vai marcar presença na 1.ª edição do Campeonato de Powerlifting da África Central, previsto para decorrer em Yaoundé, nos Camarões, entre 3 e 6 de junho de 2026. O motivo é externo à vontade da federação e do atleta: o cancelamento dos voos de ligação para os Camarões pela companhia aérea Royal Air Maroc.
A decisão de cancelar a participação foi anunciada pela Federação Cabo-verdiana de Halterofilismo (FECAH), depois de esgotadas as alternativas logísticas possíveis dentro das condições financeiras disponíveis.
O que aconteceu com os voos
A Royal Air Maroc alegou aumento dos custos operacionais associados ao preço do combustível como justificação para o cancelamento das rotas para os Camarões.
Perante esta situação inesperada, a FECAH procurou alternativas. A opção disponível através da companhia Asky foi analisada, mas ultrapassa consideravelmente o orçamento estipulado e já desembolsado para a participação da seleção nacional na competição.
Sem margem de manobra financeira, a federação viu-se obrigada a tomar uma decisão difícil.
A decisão da FECAH
“Face a esta situação, e após avaliação das condições logísticas e financeiras, a Direção da FECAH decidiu cancelar a participação de Cabo Verde no referido campeonato.”
A federação lamentou profundamente o desfecho, especialmente pelo significado histórico do evento. Trata-se da primeira edição desta competição continental, e o atleta Jeisson Carvalho, representante nacional na categoria masculina +120 kg, já havia concluído a sua preparação para participar.
O impacto para o desporto cabo-verdiano
Esta situação coloca em evidência um problema estrutural que afeta regularmente os atletas cabo-verdianos: a dependência de ligações aéreas internacionais para participar em competições no continente africano. Quando essas ligações falham — por razões comerciais ou operacionais alheias ao desporto nacional — as consequências recaem diretamente sobre os atletas e as federações, que muitas vezes já investiram tempo e recursos na preparação.
O caso do powerlifting não é isolado. Cabo Verde, sendo um arquipélago sem fronteiras terrestres, depende inteiramente da aviação para a sua projeção desportiva internacional. A ausência de rotas directas ou de acordos tarifários estáveis com companhias africanas representa um risco recorrente para a participação dos atletas nacionais em campeonatos continentais.
Quem é a FECAH?
A Federação Cabo-verdiana de Halterofilismo (FECAH) é o organismo que tutela as modalidades de levantamento de peso e powerlifting em Cabo Verde. Representa o país nas competições africanas e internacionais da área, sendo responsável pela preparação e seleção dos atletas nacionais.
Recordamos que…
O powerlifting é uma modalidade de força que avalia o desempenho dos atletas em três movimentos — agachamento, supino e levantamento terra. Cabo Verde estava representado na categoria masculina de maior peso (+120 kg) pelo atleta Jeisson Carvalho, que concluiu a sua preparação específica para este campeonato inaugural da África Central. A ausência deveu-se exclusivamente ao colapso logístico provocado pelo cancelamento de voos, sem qualquer responsabilidade da federação ou do atleta.
Caboverde24.info
Fonte: FECAH — Federação Cabo-verdiana de Halterofilismo



















