“Uma investigação de três anos culmina numa das maiores operações policiais contra exploração infantil na história recente de Cabo Verde”
Uma operação sem precedentes na ilha do Sal
Na terça-feira, 26 de maio de 2026, a ilha do Sal foi palco de uma das maiores operações policiais contra a exploração sexual de menores alguma vez registada em Cabo Verde. Numa ação conjunta da Polícia Judiciária e da Polícia Nacional, foram detidas 16 pessoas suspeitas de crimes de abuso sexual de menores, num caso que envolve alegadamente uma rede organizada de prostituição infantil.
O caso foi coordenado de forma simultânea em Espargos, Santa Maria e Vila da Murdeira, abordando no total 20 indivíduos nas suas residências. Dezasseis foram efetivamente detidos e conduzidos à Esquadra Policial dos Espargos.
Três anos de investigação minuciosa
As investigações que sustentaram esta intervenção não foram improvisadas. De acordo com fonte policial, os trabalhos de recolha de prova e de articulação criminal entre a PJ e o Ministério Público foram iniciados em 2023, decorrendo de forma discreta e metódica durante três anos.
A operação concretizou-se através da execução simultânea de mandados judiciais de busca e detenção, emitidos pelo Ministério Público para atuação fora de flagrante delito — o que implica que as autoridades dispunham de indícios suficientemente sólidos para justificar a intervenção junto de um juiz de instrução criminal.
O perfil dos detidos causa consternação
O elemento que mais perturbou a comunidade local foi o perfil dos suspeitos identificados. Entre os 16 detidos encontra-se um cidadão que desempenhou no passado funções de chefia no sector da aviação civil na ilha do Sal. O grupo inclui também vários indivíduos de idade avançada.
O foco central da investigação recai sobre indícios de abusos perpetrados contra um menor de 13 anos, entretanto retirado do ambiente de vulnerabilidade e colocado sob proteção das entidades competentes.
Dados factual da Operação Policial
A vítima está em segurança
As autoridades confirmaram que o menor identificado como vítima central foi imediatamente retirado da situação de perigo e se encontra agora a receber os devidos cuidados por parte das entidades de proteção de crianças e adolescentes. A preservação da identidade e da integridade da vítima é, neste momento, a prioridade absoluta das instituições envolvidas.
O que acontece agora aos detidos
Ao longo do dia de quarta-feira, 27 de maio, os 16 arguidos estão a ser apresentados ao Ministério Público para o primeiro interrogatório judicial. É neste ato que serão definidas as medidas de coação a aplicar a cada um — que podem ir desde o termo de identidade e residência até à prisão preventiva, dependendo do grau de indícios e do risco de fuga ou perturbação da investigação.
Um problema estrutural que persiste
A exploração sexual de menores não é um fenómeno novo em Cabo Verde, e a ilha do Sal — destino turístico de massa — tem sido historicamente identificada como uma das zonas de maior vulnerabilidade. O Departamento de Estado norte-americano classifica Cabo Verde como país de Nível 2 no relatório anual sobre tráfico de pessoas, reconhecendo esforços mas apontando lacunas substituíveis na proteção de menores e na aplicação da lei.
A legislação cabo-verdiana prevê penas de dois a oito anos de prisão para quem promova, facilite ou encoraje a prostituição de menores de 14 anos, e de um a cinco anos para vítimas entre os 14 e os 15 anos. O caso em apreço, envolvendo uma criança de apenas 13 anos, enquadra-se no patamar mais grave da lei penal.
Esta operação, com a sua dimensão e o número de suspeitos detidos, representa um sinal claro de que as autoridades cabo-verdianas estão dispostas a agir com determinação — mas levanta igualmente questões sobre como uma alegada rede desta natureza pôde operar durante tanto tempo numa ilha de pequena dimensão e comunidade relativamente coesa.
Recordamos que…
A Polícia Judiciária e a Polícia Nacional de Cabo Verde iniciaram em 2023 uma investigação criminal relacionada com suspeitas de abuso sexual de menores na ilha do Sal. Após três anos de trabalho conjunto com o Ministério Público, a operação foi executada a 26 de maio de 2026, resultando na detenção de 16 pessoas em Espargos, Santa Maria e Vila da Murdeira. A vítima central identificada é um menor de 13 anos, que se encontra agora sob total proteção e custódia das entidades competentes do Estado enquanto os arguidos são interrogados neste dia 27 de maio.
Caboverde24.info
Fonte: Inforpress



































