O drama
Quarenta e nove cidadãos do Níger morreram de sede no deserto do Saara, na zona fronteiriça entre o Níger, o Mali e a Argélia. O grupo regressava do Mali a bordo de um camião que transportava cerca de uma centena de pessoas quando o veículo se perdeu e avariou, deixando os passageiros sem água em pleno deserto, sob temperaturas extremas. O local da tragédia situa-se a mais de 80 quilómetros a oeste de Assamaka — longe de qualquer ponto de socorro.
Os dois que sobreviveram
Apenas duas pessoas conseguiram sobreviver. Percorreram mais de 50 quilómetros a pé até encontrarem uma poça de água e, posteriormente, chegarem a Assamaka, onde deram o alarme. As autoridades da província de Agadez enviaram de imediato uma missão de socorro ao local.
Uma rota que mata
Esta zona é considerada pelas autoridades locais como um dos ambientes mais hostis do planeta e é palco recorrente de tragédias semelhantes. Em 2025, a ONG Alarme Phone Sahara registou pelo menos 35 mortes no mesmo corredor. Em 2013, 92 pessoas — maioritariamente mulheres e crianças — morreram nas mesmas circunstâncias.
Nota editorial: Nigerinos são cidadãos do Níger. Não confundir com nigerianos, cidadãos da Nigéria — distinção frequentemente ignorada na cobertura internacional.
Recordamos que…
O corredor Níger–Mali–Argélia é uma das rotas mais mortíferas de África, utilizada tanto por migrantes que tentam chegar à Europa como por cidadãos que se deslocam dentro da própria região saheliana. A avaria de um camião de transporte de passageiros a 80 quilómetros de Assamaka resultou na morte por desidratação de 49 pessoas, deixando apenas dois sobreviventes que conseguiram caminhar pelo deserto para alertar as autoridades de Agadez neste início de junho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte e foto: Lusa / Autoridades da Província de Agadez



















