“A oferta pública de aquisição revela que a esmagadora maioria dos acionistas minoritários do principal banco de Cabo Verde optou por permanecer sob o novo controlo africano”
Uma operação prevista pela lei
O grupo Coris reforçou a sua participação no Banco Comercial do Atlântico de 59,81% para 62,25%, na sequência de uma oferta pública de aquisição cujos resultados foram divulgados hoje pela Bolsa de Valores de Cabo Verde.
A OPA não foi uma escolha estratégica espontânea, mas uma obrigação legal. Este passo surge como uma exigência legal e regulamentar do mercado de capitais cabo-verdiano, após a Coris Holding ter concluído, em janeiro deste ano, a aquisição de 59,81% do BCA à Caixa Geral de Depósitos por 82 milhões de euros. O Código do Mercado de Valores Mobiliários impõe que qualquer entidade que ultrapasse um determinado limiar de controlo ofereça aos restantes acionistas a possibilidade de sair por um preço justo.
Os números da oferta
A oferta incidiu sobre 532.413 ações, representativas de 40,19% do capital social do BCA, com uma contrapartida de 14.918 escudos cabo-verdianos — cerca de 135 euros — por ação.
O resultado ficou muito aquém do máximo possível. Foram submetidas apenas 20 ordens de aceitação, correspondentes a 32.300 ações, o equivalente a 6,07% do total das ações objeto da oferta. Com a operação, 500.113 ações permaneceram fora da Coris Holding, dispersas por 672 acionistas, representando 17,25% do capital do BCA.
Os minoritários ficaram — e isso diz muito
A baixíssima adesão à OPA tem uma leitura positiva para o novo acionista maioritário. O presidente do conselho de administração do BCA, Gilberto Barros, afirmou que a leitura que faz é que os acionistas “querem continuar a ser acionistas do BCA, porque acreditam no novo acionista de referência, a Coris Holding“.
Esta interpretação tem lógica de mercado: se os minoritários tivessem dúvidas sobre a direção futura do banco ou sobre a solidez do novo controlador, teriam aproveitado a janela de saída garantida por lei. A esmagadora maioria preferiu permanecer.
A nova estrutura acionista
A estrutura acionista do BCA integra agora o Instituto Nacional de Previdência Social com 12,54%, a seguradora Garantia — do grupo Fidelidade — com 5,79%, e a estatal Aeroportos e Segurança Aérea com 2,17%. O restante capital permanece disperso por pequenos investidores e colaboradores cotados na bolsa cabo-verdiana.
Quem é a Coris Holding?
A Coris Holding é um grupo financeiro da África Ocidental controlado pelo empresário burkinabé Idrissa Nassa. O grupo, com sede no Burkina Faso, conta com cerca de 2.000 colaboradores, está presente em 9 países do continente africano e opera 160 agências em 69 cidades. A entrada no mercado cabo-verdiano representa uma das suas maiores apostas fora da África continental.
O compromisso declarado para Cabo Verde
O líder do grupo declarou que, em Cabo Verde, “o compromisso do Grupo Coris é ajudar ao financiamento da economia, de uma forma geral, às empresas, particulares, mas também às instituições”, com foco “ainda mais forte em projetos estruturais para a transformação da economia cabo-verdiana”.
São palavras que os próximos meses terão de confirmar. O BCA é o maior banco do arquipélago, com importância sistémica reconhecida pelo regulador, e as expectativas sobre o novo controlador são proporcionalmente elevadas.
Recordamos que…
Em janeiro de 2026, a Coris Holding concluiu a aquisição de 59,81% do Banco Comercial do Atlântico à Caixa Geral de Depósitos por 82 milhões de euros, após um processo competitivo internacional que se arrastou desde 2023 e uma primeira tentativa falhada em 2020. A OPA lançada entre 21 de maio e 4 de junho de 2026 era uma obrigação legal decorrente da tomada de controlo do banco, cujos resultados consolidados neste mês de junho comprovam o voto de confiança do mercado financeiro e dos acionistas minoritários na nova gestão.
Caboverde24.info
Fonte: Bolsa de Valores de Cabo Verde





































