“Apesar de uma ligeira descida em julho, Cabo Verde mantém-se entre os dez mercados africanos onde a gasolina é mais cara — e a folga pode ser curta”
Uma posição que se mantém
Cabo Verde voltou a figurar entre os dez países africanos com os combustíveis mais caros, segundo o levantamento mensal da GlobalPetrolPrices, divulgado pela Business Insider Africa.
O país surge em 8º lugar no continente, com o litro de gasolina a custar 1,669 dólares, o que corresponde à 60ª posição no ranking mundial, entre mais de 170 países analisados.
Há um dado positivo, ainda que modesto: o preço desceu ligeiramente face ao mês anterior. Mas a folga é relativa.
Cabo Verde continua a pagar mais pela gasolina do que a esmagadora maioria dos países africanos, incluindo economias muito maiores como o Quénia ou o Senegal, que fecham a lista logo abaixo.
Este mês, o Senegal substituiu a África do Sul no top 10, enquanto a média mundial do preço da gasolina subiu ligeiramente, de 1,48 para 1,49 dólares por litro.
A maioria dos países da lista — Malawi, Ruanda, República Centro-Africana, Seicheles e Quénia — registou subidas. Cabo Verde esteve entre a minoria com queda, ao lado do Zimbabué, do Uganda e da Serra Leoa.
Por que a posição de Cabo Verde não é acidental
Ao contrário do Malawi ou do Zimbabué, cujos preços elevados refletem crises cambiais e económicas profundas, o caso cabo-verdiano tem uma explicação mais simples: o país não produz uma única gota de petróleo e importa a totalidade dos combustíveis que consome.
Essa dependência estrutural é a razão de fundo pela qual, mesmo com uma gestão macroeconómica relativamente estável, Cabo Verde surge à frente de gigantes petrolíferos regionais e de economias com dimensão muito superior.
É também por isso que a ligeira descida deste mês deve ser lida com cautela. O preço do petróleo Brent ultrapassou os 100 dólares por barril, com o agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente a alimentar receios sobre eventuais bloqueios em rotas de abastecimento estratégicas.
Para um país sem reservas próprias, qualquer aperto na oferta mundial de gasóleo e gasolina tende a repercutir-se diretamente nas bombas nacionais.
O fator Dangote e o efeito regional
Há ainda um sinal a observar mais perto: a Refinaria Dangote, na Nigéria, aumentou este mês os preços de carregamento de combustível e chegou a equacionar vender gasolina aos distribuidores em dólares.
A medida gerou apreensão nos mercados, com analistas a apontarem um impacto potencialmente significativo sobre a economia nigeriana.
Como a Nigéria é um dos principais polos de refinação da África Ocidental, qualquer instabilidade nos seus preços de saída tende a propagar-se pela região — incluindo aos mercados que, como o cabo-verdiano, dependem de importação.
O que está em jogo para o consumidor e para o turismo
O padrão internacional é conhecido: combustíveis mais caros encarecem o transporte, que por sua vez encarece alimentos, bens manufaturados e serviços, à medida que as empresas repassam os custos ao consumidor final.
Em Cabo Verde, este efeito tem uma dimensão adicional relevante:
- Transporte inter-ilhas: custos de voos e ligações marítimas diretamente afetados;
- Setor turístico: impacto no funcionamento de geradores em hotéis e unidades hoteleiras nas ilhas mais dependentes de energia autónoma.
Nota editorial:
É importante separar dois planos de leitura. O ranking da GlobalPetrolPrices reflete o preço final ao consumidor, moldado por fatores muito diferentes de país para país — produção própria, subsídios, fiscalidade, câmbio. A posição de Cabo Verde resulta sobretudo da sua dependência total de importação, e não de uma política fiscal especialmente onerosa face aos vizinhos africanos.
Recordamos que:
Cabo Verde não produz petróleo e importa a totalidade dos combustíveis que consome, o que o torna estruturalmente vulnerável a qualquer subida no mercado internacional. A ligeira descida registada este mês não altera essa vulnerabilidade, num contexto de Brent acima dos 100 dólares, tensões geopolíticas no Médio Oriente e sinais de instabilidade na refinação nigeriana.
Caboverde24.info
Fonte: Business Insider Africa / GlobalPetrolPrices

























