Instrutor de voo suicida-se ao saltar de avião e deixa aluna sozinha na cabine. As palavras antes do salto: “Sabes o que tens de fazer”

A jovem, de 22 anos, assumiu os comandos sozinha e conseguiu aterrar em segurança”

O que aconteceu

​Um instrutor de voo de 42 anos morreu depois de se atirar de um pequeno avião em pleno voo, na província de Córdoba, na Argentina, deixando sozinha aos comandos uma aluna de 22 anos que estava a realizar uma sessão de treino. A jovem, apesar do choque, conseguiu contactar o controlo em terra e concluir a aterragem sem ferimentos.

​O episódio ocorreu no dia 4 de julho, a bordo de um Cessna 150G, a cerca de 250 metros de altitude, nos arredores da localidade de Toledo. Segundo testemunhas citadas pela escola de aviação onde o instrutor trabalhava, o homem terá dito à aluna “sabes o que tens de fazer”, momentos antes de retirar os auscultadores, guardar o telemóvel e abrir a porta da aeronave — uma manobra descrita como tecnicamente difícil devido à pressão do ar durante o voo. O corpo foi encontrado horas depois numa zona rural próxima.

​A aluna, que já possuía uma licença de piloto mas contava ainda poucas horas de voo, manteve o controlo do aparelho, avisou a torre de controlo e aterrou sem incidentes. O gesto foi descrito por responsáveis da escola como um exemplo raro de sangue-frio numa situação de emergência.

Quem era Leandro Bertazzo?

Leandro Bertazzo trabalhava há cerca de quatro anos como instrutor na escola de aviação onde ocorreu o incidente e era considerado, pelos colegas, um piloto experiente e apreciado. Tinha também uma licença de piloto de linha emitida nos Estados Unidos e tinha-se recentemente candidatado a uma companhia aérea.

​Segundo o pai, o instrutor atravessava “um mau período” e tinha procurado recentemente apoio psiquiátrico, uma circunstância que não tinha partilhado com a empresa para a qual trabalhava.

A questão da saúde mental na aviação

​O caso reacende o debate sobre a saúde mental entre profissionais da aviação, um setor onde o estigma associado a estes temas continua elevado. Estudos internacionais indicam que uma parte significativa de pilotos evita procurar ajuda médica por receio de perder a licença ou o emprego, o que reforça a importância de mecanismos de apoio confidenciais nas companhias e escolas de voo.

Nota editorial:

Este caso, embora ocorrido fora de Cabo Verde, remete para um tema relevante também para o arquipélago, que tem vindo a desenvolver o seu setor de aviação civil e conta com escolas e operadores locais. A criação de canais de apoio psicológico acessíveis e confidenciais para profissionais deste setor é uma discussão que ganha atualidade internacional. Caso alguém esteja a atravessar uma situação de sofrimento emocional, é importante procurar apoio junto de um profissional de saúde ou de uma linha de apoio disponível no seu país.

Recordamos que…

O instrutor argentino Leandro Bertazzo, de 42 anos, morreu a 4 de julho após se atirar de um Cessna em pleno voo, deixando a aluna sozinha aos comandos; a jovem conseguiu aterrar em segurança graças à sua rapidez de reação, sendo o caso acompanhado pelas instâncias de segurança aérea neste dia 8 de julho de 2026.

Caboverde24.info

Fonte e imagem: Clarín (Argentina) e escola de aviação Flying Parrot Córdoba

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