“Novo levantamento do INE mostra que 93% das mulheres cabo-verdianas realizam trabalho doméstico, cuidados ou voluntariado sem remuneração, contra 76,7% dos homens”
Um país que trabalha, mas nem sempre é pago por isso
Cerca de 85% da população cabo-verdiana com 15 ou mais anos — o equivalente a 317.916 pessoas — realizou algum tipo de trabalho não remunerado em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A esmagadora maioria dessas tarefas concentrou-se em afazeres domésticos, mas o inquérito revela também uma desigualdade persistente entre géneros.
A diferença entre homens e mulheres
O INE registou uma diferença expressiva entre géneros, com uma taxa de realização de trabalho não remunerado de 93% entre as mulheres, contra 76,7% entre os homens — uma diferença de 16,3 pontos percentuais.
Em termos de tempo, o desequilíbrio é ainda mais evidente: as mulheres dedicam, em média, 19 horas por semana a estas tarefas, quase o dobro das 10 horas semanais registadas entre os homens.
Afazeres domésticos lideram as estatísticas
Entre as diferentes formas de trabalho não remunerado, os afazeres domésticos foram os mais frequentes, envolvendo 303.160 pessoas, ou seja, 80,9% da população analisada. Esta categoria inclui tarefas como limpeza, preparação de alimentos e gestão do lar, atividades que continuam a recair de forma desproporcional sobre as mulheres.
Cuidados e voluntariado completam o quadro
Os cuidados a pessoas dependentes dentro do próprio agregado familiar envolveram 126.998 pessoas, correspondendo a uma taxa de 33,9%. Aqui também a diferença de género é acentuada: 45,6% das mulheres afirmaram prestar estes cuidados, contra apenas 22,2% dos homens.
Já o trabalho voluntário foi realizado por 13.026 pessoas (3,5% da população), enquanto a produção para consumo próprio — mais comum no meio rural — envolveu 55.784 pessoas, ou 14,9%.
Nota editorial:
O conceito de “trabalho não remunerado”, tal como definido pelo INE, abrange tarefas domésticas, cuidados a crianças, idosos ou pessoas dependentes, trabalho voluntário e produção destinada ao consumo próprio. Este tipo de trabalho não entra habitualmente nas estatísticas económicas tradicionais, apesar do seu peso real na sociedade cabo-verdiana.
Recordamos que…
este levantamento foi divulgado pelo INE Cabo Verde, referente ao ano de 2025, e confirma uma tendência já observada em anos anteriores: a sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidados continua a recair principalmente sobre as mulheres, sendo os dados consolidados apresentados formalmente na nossa plataforma neste dia 9 de julho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE) de Cabo Verde / Lusa































