Há 27 anos, Santo Antão vivia o pior acidente da história da aviação cabo-verdiana

“A queda do Dornier Do 228 continua a ser a mais grave tragédia da aviação civil da história de Cabo Verde”

Um voo que terminou em tragédia

​Dezoito vidas apagadas em poucos segundos, numa encosta de Santo Antão coberta pela neblina — assim começou, há 27 anos, a mais grave tragédia da aviação civil de Cabo Verde. A 7 de agosto de 1999, um acidente aéreo em Santo Antão, envolvendo um Dornier Do 228 ao serviço da TACV, ceifou a vida a 18 pessoas e marcou para sempre a memória coletiva de Ribeira Grande.

​A aeronave, pertencente à Guarda Costeira de Cabo Verde e cedida à TACV devido a uma avaria do Twin Otter habitual, realizava o voo 5002, entre o Aeroporto de São Pedro, na ilha de São Vicente, e o Aeródromo Agostinho Neto, em Ponta do Sol, Santo Antão. Pouco depois da descolagem, a tripulação foi informada de que a visibilidade no destino estava abaixo dos mínimos exigidos, devido a chuva e neblina, e decidiu regressar a São Vicente. Foi durante essa manobra que o avião embateu contra a encosta da região de Ribeira Grande, na zona conhecida como Cinta de José d’Aninha, em Rabo Curo, no Vale da Ribeira da Torre.

  • ​Das 18 vítimas mortais, duas eram membros da tripulação e 16 eram passageiros, entre os quais turistas estrangeiros, incluindo cidadãos austríacos e franceses, além de várias famílias naturais de Ribeira Grande, que perderam múltiplos membros no acidente. Este continua a ser, 27 anos depois, o episódio mais trágico da história da aviação em Cabo Verde.

O relatório oficial aponta erro humano

​De acordo com o relatório final da investigação às causas do acidente, elaborado pelas autoridades competentes, a causa determinante não foi apenas a fraca visibilidade, mas sim erro humano: em vez de seguir o trajeto habitual sobre o oceano, a tripulação optou por sobrevoar a ilha em baixa altitude, tentando ganhar altitude dentro do Vale do Paúl — uma manobra fora dos procedimentos normais da aviação cabo-verdiana, que terminou em tragédia.

​Perante a magnitude da tragédia, o então governo de Cabo Verde, liderado por Carlos Veiga, decretou três dias de luto nacional em memória das vítimas. Foi montada uma operação de resgate com meios de segurança e saúde de Santo Antão e São Vicente, mas as equipas rapidamente confirmaram que não haveria sobreviventes. O desastre de Santo Antão não foi o primeiro na história recente da aviação cabo-verdiana — um ano antes, a 28 de setembro de 1998, tinha já ocorrido um acidente aéreo na cidade da Praia, que vitimou uma pessoa —, mas o acidente de 1999 continua a ser recordado como o mais mortífero de sempre.

Porque este acidente continua a ser recordado?

​Quase três décadas depois, o acidente de Santo Antão permanece como uma referência incontornável na história da aviação cabo-verdiana — não só pelo número de vítimas, mas também pelo impacto direto que teve na segurança aérea do país.

​O Aeródromo Agostinho Neto acabou por ser encerrado em 2003, e Santo Antão nunca mais teve ligação aérea regular, uma situação que só agora começa a ser equacionada, com planos para um novo aeroporto na zona de Ponta Sul. Para além do legado técnico, o acidente permanece vivo na memória coletiva de Ribeira Grande, onde famílias inteiras ainda hoje recordam os que perderam naquele dia de agosto.

Nota editorial

Os registos históricos apresentam pequenas divergências quanto à nacionalidade exata de alguns turistas estrangeiros vitimados; optámos pela versão mais consistente entre as fontes disponíveis.

Caboverde24.info

Fonte e fotos: Relatório final de investigação de acidente de aviação / Bureau of Aircraft Accidents Archives

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