Moderna anuncia avanço histórico contra o melanoma e abre novas esperanças de cura

“Terapia personalizada de mRNA desenvolvida com a Merck supera Keytruda isoladamente num ensaio de fase 3 com 1.137 pacientes.”

​A Moderna e a Merck anunciaram esta quarta-feira, 19 de agosto, resultados positivos de um importante ensaio clínico de fase 3 de uma terapia personalizada de mRNA contra o melanoma. O estudo atingiu os seus principais objetivos e reforça as expectativas em torno de uma nova forma de combater um dos tipos mais graves de cancro da pele.

​O anúncio provocou também uma reação extraordinária nos mercados: as ações da Moderna fecharam a sessão em Wall Street com uma valorização de cerca de 177%.

Um avanço importante, mas ainda não uma cura

​Os resultados são promissores, mas é fundamental esclarecer que Moderna e Merck não anunciaram a cura do melanoma.

​O tratamento experimental chama-se intismeran autogene (V940/mRNA-4157) e é uma terapia individualizada de neoantígenos baseada em mRNA. Está a ser desenvolvida conjuntamente pelas duas empresas e, neste estudo, foi administrada em combinação com Keytruda (pembrolizumab), imunoterapia da Merck já utilizada no tratamento de vários tipos de cancro.

​O ensaio de fase 3 INTerpath-001 incluiu 1.137 pacientes com melanoma cutâneo de alto risco nos estádios IIB a IV, cujo tumor tinha sido completamente removido através de cirurgia.

​Estamos, portanto, perante um tratamento adjuvante: a intenção não é eliminar um tumor ainda presente, mas reduzir o risco de a doença regressar ou atingir outras partes do organismo depois da cirurgia.

O que demonstrou o estudo

​Segundo Moderna e Merck, a combinação de intismeran e Keytruda atingiu o objetivo principal do estudo: a sobrevivência livre de recorrência, isto é, o período durante o qual o paciente permanece sem o regresso da doença.

​Foi igualmente atingido um importante objetivo secundário, a sobrevivência livre de metástases à distância, relacionada com o período em que o melanoma não reaparece noutras partes do organismo.

​Em ambos os casos, as empresas informaram que a combinação apresentou uma melhoria estatisticamente significativa e clinicamente relevante em comparação com Keytruda administrado isoladamente.

​O resultado representa, segundo as empresas, o primeiro ensaio de fase 3 positivo de uma terapia individualizada de neoantígenos e de uma terapia contra o cancro baseada em mRNA.

​Não foram identificados novos sinais de segurança relativamente ao perfil já conhecido da combinação.

Uma terapia criada para cada paciente

​Uma das características mais inovadoras do intismeran é que o tratamento é preparado individualmente.

​Após a remoção do tumor, são estudadas as suas características genéticas para identificar mutações específicas capazes de produzir proteínas anormais, conhecidas como neoantígenos.

​Com essas informações é desenvolvida uma terapia de mRNA própria para aquele paciente, destinada a ajudar o sistema imunitário a reconhecer e atacar células que apresentem essas características tumorais.

​Por esta razão, embora seja frequentemente descrita como uma “vacina contra o cancro”, não se trata de uma vacina preventiva convencional administrada a pessoas saudáveis.

Resultados anteriores já eram promissores

​Os novos resultados de fase 3 confirmam sinais positivos observados anteriormente num estudo de fase 2, muito menor.

​Nesse estudo anterior, após cinco anos de acompanhamento, a combinação de intismeran e Keytruda tinha reduzido em 49% o risco de recorrência ou morte e em 59% o risco de metástases à distância, em comparação com Keytruda isoladamente.

​Estes números, porém, pertencem ao estudo de fase 2 e não devem ser confundidos com os novos resultados da fase 3, cujos dados quantitativos completos ainda não foram divulgados.

Ainda faltam dados importantes

​Moderna e Merck divulgaram por enquanto resultados preliminares de topo da fase 3. Os números detalhados que permitirão avaliar exatamente a dimensão do benefício ainda deverão ser apresentados num congresso médico internacional.

​Também ainda não existem resultados maduros sobre a sobrevivência global, ou seja, se o novo tratamento permite aos pacientes viver durante mais tempo. O estudo continuará para avaliar este e outros objetivos.

​As empresas pretendem apresentar os resultados às autoridades reguladoras. Qualquer futura disponibilização do tratamento aos pacientes dependerá da avaliação e aprovação desses organismos.

​Por isso, ainda é demasiado cedo para falar numa cura para o melanoma. O que os resultados demonstram até agora é um avanço clínico importante na prevenção da recorrência e disseminação da doença após a remoção cirúrgica do tumor, abrindo novas perspetivas para a utilização de terapias personalizadas de mRNA no combate ao cancro.

Caboverde24.info

Fontes: Reuters; Associated Press.

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