“O jornal O País divulgou nomes e referências profissionais de alguns dos arguidos da investigação no Sal. Entre os identificados estão o jornalista Moisés Évora, um dirigente do INPS referido apenas como Nuno, um técnico informático chamado Evandro e Djô Palavra. As autoridades judiciais não divulgaram oficialmente as identidades.”
Em 30 segundos
📰 O jornal O País divulgou publicamente nomes e referências profissionais de alguns dos arguidos detidos na Operação Aurora.
📻 A publicação aponta diretamente o jornalista Moisés Évora, da RTC/RCV, e um dirigente do INPS identificado apenas pelo nome próprio Nuno.
💻 O mesmo órgão de comunicação refere ainda um técnico de informática chamado Evandro e a figura conhecida como Djô Palavra.
⚖️ A Polícia Judiciária e o Ministério Público não divulgaram identidades oficiais. Todos os suspeitos beneficiam do princípio da presunção de inocência.
O jornal O País avançou este sábado, 3 de outubro, com a revelação de identidades e funções profissionais de parte dos detidos na Operação Aurora, que investiga suspeitas de abuso, exploração sexual e prostituição de menores na ilha do Sal.
A peça jornalística aponta formalmente Moisés Évora, jornalista dos quadros da RTC/RCV, um dirigente intermédio do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) referido como Nuno, e um técnico de sistemas informáticos identificado como Evandro.
O mesmo diário afirma igualmente que Djô Palavra integra a lista de arguidos, adiantando que este não foi sujeito à medida extrema de prisão preventiva.
Identificações atribuídas em exclusivo ao jornal O País
Até ao momento, os relatórios e comunicados da Polícia Judiciária e da Procuradoria-Geral da República mantêm a reserva de identidade e não publicaram qualquer lista nominal de arguidos.
Por essa razão de rigor deontológico, o Caboverde24.info atribui expressamente estas referências ao jornal O País, que assumiu a responsabilidade editorial pela divulgação.
O Caboverde24.info confirmou, por via dos canais da estação pública, que Moisés Évora exerce atividade jornalística na Rádio de Cabo Verde, com presença regular em programas informativos e reportagens.
Essa verificação cinge-se unicamente ao seu percurso profissional na comunicação social e não representa uma confirmação autónoma do seu envolvimento processual, dado que o processo corre em segredo de justiça parcial e a menção resulta da apuração do O País.
Em relação ao quadro do INPS, o periódico omite o apelido institucional, limitando-se ao nome Nuno, da mesma forma que restringe a caracterização de Evandro à sua área técnica de informática.
Djô Palavra e as medidas alternativas à prisão
A inclusão do nome de Djô Palavra surge associada à informação de que terá beneficiado de medidas de coação não privativas da liberdade.
Este dado cruza-se com o despacho oficial da Procuradoria-Geral da República, que revelou que, do lote dos últimos nove detidos, sete recolheram à cadeia em prisão preventiva e dois ficaram em liberdade vigiada.
Os dois arguidos poupados ao cárcere têm 73 e 81 anos de idade, sendo um deles cidadão estrangeiro, tendo o tribunal valorizado a idade avançada e o estado de saúde debilitado para afastar a medida de coação máxima.
Ambos ficaram sujeitos a apresentação periódica semanal, interdição de saída da ilha do Sal, proibição de abandonar Cabo Verde e interdição absoluta de contactos com a menor ofendida, testemunhas e correus.
Autoridades blindam identidades para proteger menores
A atuação da Polícia Judiciária e da Procuradoria-Geral da República tem sido pautada pelo silêncio quanto aos nomes dos suspeitos.
A diretiva visa, em primeiro lugar, salvaguardar a identidade, integridade moral e privacidade das vítimas infantis, evitando qualquer exposição que permita a sua identificação indireta no meio social e familiar da ilha.
Sabe-se apenas, por via das notas oficiais da PJ, que o último grupo é formado por oito homens e uma mulher, com idades entre os 18 e os 81 anos, e que a arguida é mãe biológica de uma das crianças lesadas.
A PGR acrescentou que o contingente integra oito cidadãos de nacionalidade cabo-verdiana e um cidadão estrangeiro.
Operação soma 25 detidos e 18 prisões preventivas
O balanço global da Operação Aurora atinge 25 detenções consolidadas, com 18 suspeitos em prisão preventiva a aguardar o desenrolar das averiguações.
O inquérito-crime abrange condutas alegadamente cometidas de forma continuada desde 2023, envolvendo crianças que tinham, à data de início dos abusos, idades inferiores a 14 anos.
Os ilícitos em apuração integram abuso sexual de crianças com penetração continuado, lenocínio agravado, prostituição infantil e omissão de auxílio.
O Ministério Público e os órgãos de polícia criminal recordam que a constituição de arguido não consubstancia culpa firmada nem condenação judicial, subsistindo a plena presunção de inocência de todos os visados até ao trânsito em julgado de sentença condenatória.
Caboverde24.info
Fonte: O País; Procuradoria-Geral da República; Polícia Judiciária; RTC.























