Cabo Verde melhora 41% a ligação às rotas marítimas mundiais: Praia cresce quase 65%

Em 30 segundos

🚢 Cabo Verde atingiu 16,5 pontos no índice de conectividade marítima da UNCTAD, uma subida de 41,3% em relação ao mesmo período de 2025.

⚓ Praia é o porto cabo-verdiano mais conectado, com 39,7 pontos e crescimento homólogo de 64,9%.

📈 Palmeira registou a maior subida percentual entre os quatro portos analisados: 95%, embora continue com o índice mais baixo do grupo.

🌍 Apesar da melhoria, Cabo Verde ocupa a 147.ª posição entre 178 economias e continua abaixo do seu máximo histórico de 23,9 pontos, registado em 2009.

Cabo Verde ganha ligações ao transporte marítimo internacional

Cabo Verde melhorou significativamente a sua posição nas redes mundiais de transporte marítimo regular de contentores.

Os dados mais recentes do Liner Shipping Connectivity Index (LSCI), da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), atribuem ao país um índice de 16,5 pontos no terceiro trimestre de 2026, mais 41,3% do que no mesmo período do ano passado.

Em setembro, o índice mensal manteve-se igualmente nos 16,5 pontos, sem alteração relativamente a agosto, mas com a mesma subida homóloga de 41,3%.

O crescimento é expressivo, mas deve ser interpretado corretamente. O indicador não mede diretamente quantos contentores ou toneladas de mercadorias passam pelos portos. Mede o grau de integração de uma economia nas redes internacionais de transporte marítimo regular de contentores.

Para calcular o índice são considerados fatores como o número de escalas de navios, a capacidade de movimentação de contentores, o número de serviços e companhias, a dimensão dos maiores navios e o número de países acessíveis através de ligações marítimas diretas.

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Praia lidera entre os portos cabo-verdianos

A evolução é ainda mais evidente quando os portos são analisados individualmente.

O Porto da Praia apresenta atualmente um índice de 39,7 pontos, mais 64,9% do que há um ano, sendo o porto cabo-verdiano com maior conectividade.

O Porto Grande do Mindelo surge em segundo lugar, com 25,2 pontos e um crescimento homólogo bastante mais moderado, de 4,8%.

Em terceiro aparece Sal Rei, na Boa Vista, com 24,6 pontos, correspondentes a uma subida de 42,7%.

A maior variação percentual pertence, porém, ao Porto da Palmeira, no Sal. O índice chegou a 17,7 pontos, praticamente o dobro do registado um ano antes: +95%.

Apesar dessa evolução, Palmeira continua a ser, entre os quatro portos cabo-verdianos incluídos no indicador, aquele com menor nível de conectividade.

Cresce 41%, mas ainda está abaixo do máximo de 2009

Os números permitem duas leituras simultâneas.

Por um lado, mostram uma melhoria clara da inserção de Cabo Verde nas redes internacionais de transporte marítimo de contentores. Por outro, revelam que o país continua relativamente distante dos grandes centros logísticos mundiais.

Com os atuais 16,5 pontos, Cabo Verde encontra-se na 147.ª posição entre 178 economias analisadas.

E existe outro dado que coloca o crescimento recente em perspetiva: Cabo Verde ainda não recuperou o seu máximo histórico de conectividade marítima.

A série disponível desde 2006 mostra que o país alcançou 23,9 pontos no segundo trimestre de 2009. O valor atual de 16,5 permanece, portanto, cerca de 31% abaixo desse máximo.

A subida de 41,3% num ano representa uma recuperação importante, mas não significa que Cabo Verde esteja no nível mais elevado de conectividade da sua história recente.

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Porto da Praia movimentou 1,4 milhões de toneladas em 2025

A melhoria da conectividade acontece num período em que os portos nacionais estão também a receber novos equipamentos.

Em julho, a ENAPOR anunciou que o Porto da Praia recebeu um empilhador com capacidade para 45 toneladas e cinco tratores-reboques, integrados num pacote global de investimento de aproximadamente 300 mil contos destinado à modernização dos portos nacionais.

Segundo a empresa, em 2025 o Porto da Praia movimentou 1,4 milhões de toneladas de mercadorias e processou 54 mil TEUs, alcançando o que a ENAPOR classificou como um marco histórico.

Estes números ajudam a contextualizar a crescente atividade da infraestrutura, mas não permitem concluir que o aumento da movimentação ou os novos equipamentos sejam responsáveis pela subida do índice da UNCTAD.

O próximo passo é perceber o que explica a subida

Os novos dados deixam uma questão importante em aberto: o que mudou nas ligações marítimas de Cabo Verde para produzir um crescimento de 41,3% num ano?

Uma subida do índice pode resultar de alterações nas escalas, entrada ou reforço de serviços, maior capacidade dos navios, novas ligações diretas ou mudanças no número de companhias que servem o arquipélago.

Determinar quais destes fatores explicam o crescimento nacional — e particularmente os 64,9% da Praia e 95% da Palmeira — exige cruzar a evolução do índice com as alterações efetivamente ocorridas nas linhas marítimas que servem Cabo Verde.

Os dados já permitem, contudo, uma conclusão segura: Cabo Verde está significativamente mais integrado nas redes internacionais de transporte marítimo regular de contentores do que estava há um ano, mas ainda permanece abaixo do nível máximo alcançado em 2009.

Caboverde24.info

Fonte: UNCTAD; ENAPOR; dados UNCTAD compilados pelo El Estrecho Digital.

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