“Educadora, criada entre o crioulo e as línguas do Luxemburgo, a nova deputada leva para o Parlamento um percurso ligado à escola, à igualdade e ao combate à discriminação.”
Em breve
- 🇨🇻Origens: nasceu no Luxemburgo em 1983, filha de emigrantes cabo-verdianos.
- 🏛️Novo mandato: tomou posse em 14 de outubro, substituindo David Wagner pelo sistema de rotação do déi Lénk.
- 📚Percurso: trabalhou como educadora e preparou a entrada no Parlamento como assessora parlamentar.
- ⚖️Prioridades: educação, saúde, igualdade de oportunidades e respostas às dificuldades de habitação.
Ana Correia da Veiga tomou posse nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, como deputada no Luxemburgo. Mas a história da mulher que chega à Câmara dos Deputados começa muito antes do juramento: numa família cabo-verdiana, em Bonnevoie e numa escola onde a questão de pertencer já se fazia sentir.
Aos 43 anos, segundo o perfil publicado pelo Luxembourg Times, assume o lugar de David Wagner na circunscrição Centro, pelo déi Lénk. O jornal woxx apresenta-a como a primeira mulher negra no Parlamento luxemburguês. A relevância da entrada vai, porém, além desse marco: interessa perceber que experiências e propostas leva consigo.
Crescer no Luxemburgo sem deixar Cabo Verde para trás
Num texto autobiográfico publicado pela revista forum em 2024, Ana conta que nasceu em 1983 e que os pais emigraram de Cabo Verde para o Luxemburgo na década de 1970. Cresceu sobretudo em Bonnevoie e é a mais velha de quatro irmãos.
O crioulo foi a sua língua materna. Recorda que falava francês antes de aprender luxemburguês e que, depois do jardim de infância, passou por uma turma de integração. A sua trajetória ajuda a compreender por que razão a escola ocupa hoje um lugar central nas suas preocupações políticas.
Nesse testemunho, descreve também como a leitura de Maya Angelou a ajudou a reconhecer experiências de discriminação e a valorizar a própria identidade. Defende bibliotecas escolares com autores e histórias em que crianças de diferentes origens se possam reconhecer.
Da educação ao trabalho parlamentar
Ana fez estudos em Metz e formação como educadora especializada em Liège, segundo o Luxembourg Times. Trabalhou em estruturas de apoio a crianças e, a partir de 2017, no serviço nacional da juventude luxemburguês, acompanhando jovens que tinham abandonado a escola.
O mandato municipal começou em 28 de setembro de 2020. Nesse dia, foi empossada no Conselho Comunal da Cidade do Luxemburgo, substituindo David Wagner. O comunicado municipal reproduzido pela RTL confirma a data.
Desde 2024, trabalhou como assessora parlamentar do déi Lénk. Numa entrevista ao woxx, explicou que essa preparação lhe permitiu conhecer as comissões, os procedimentos legislativos e a organização dos debates antes de assumir o mandato.
Porque entra agora na Câmara dos Deputados?
A entrada resulta do sistema de rotação adotado pelo partido. Ana substitui David Wagner no Centro, enquanto Gary Diderich assume o lugar de Marc Baum no Sul.
A Câmara dos Deputados anunciou a substituição em setembro e incluiu os juramentos na sessão de 14 de outubro. A RTL noticiou a tomada de posse efetivamente realizada nesse dia, distinguindo o acontecimento da previsão anterior.
O que quer levar para o debate político?
Na entrevista ao woxx, Ana identificou educação, saúde, família e igualdade de oportunidades entre os dossiers em que pretende trabalhar. Defendeu ainda mais habitação social, limites às rendas e o regresso ao mercado de casas desocupadas. São propostas políticas, cujo resultado dependerá do debate e das decisões parlamentares.
Na intervenção de estreia, segundo a RTL, voltou à experiência escolar e ao papel de professores que marcaram o seu percurso. Explicou também que pretende levar reivindicações para a Câmara e debatê-las, dando continuidade ao envolvimento com organizações e jovens.
O combate à discriminação atravessa o seu percurso pessoal e a sua intervenção pública. Na entrevista ao woxx, destaca a responsabilidade que terá como mulher negra no Parlamento. Quer mostrar às pequenas «Anas» que, embora nem tudo seja ainda possível, muita coisa já o é.
Para os leitores cabo-verdianos, o interesse deste perfil está nessa ligação: uma filha da emigração chega à política nacional do país onde nasceu, levando experiências de escola, identidade e intervenção social. O novo mandato começa agora; as propostas e o trabalho parlamentar permitirão acompanhar o que fará a partir daqui.
Caboverde24.info
Fonte: Câmara dos Deputados do Luxemburgo; RTL Lëtzebuerg; RTL Lëtzebuerg — comunicado municipal reproduzido; forum — testemunho de Ana Correia da Veiga; woxx — entrevista a Ana Correia da Veiga; Luxembourg Times; Câmara dos Deputados do Luxemburgo — sessão 158.
Foto: déi Lénk/Steve Ginepri, fotografia publicada pelo woxx. Origem da imagem.





































