“«Sete emissões financiaram infraestruturas e reestruturações; o mercado secundário continua com pouca negociação.»”
Em breve
- 💰💰 Sociedades não financeiras captaram 7.043,6 milhões de escudos em obrigações em 2025.
- 🏦🏦 O financiamento bancário às mesmas empresas somou 7.205 milhões de escudos.
- ⚠️⚠️ As sete emissões foram particulares e as empresas tinham participação do Estado.
Sociedades não financeiras captaram 7.043,6 milhões de escudos através de sete séries de obrigações em 2025. O valor ficou perto dos 7.205 milhões de escudos de financiamento bancário concedido às mesmas empresas, segundo o Relatório do Mercado de Valores Mobiliários da AGMVM.
O número mostra que as obrigações se aproximaram do crédito bancário como fonte de financiamento destas empresas, mas não representa o conjunto do tecido empresarial. Os fundos destinaram-se sobretudo a infraestruturas públicas, reestruturação financeira e regularização de passivos nos ramos da construção, eletricidade e água, indústria farmacêutica e transportes aéreos. Todas as empresas abrangidas tinham participação do Estado no capital.

Uma obrigação funciona como um empréstimo: a empresa recebe dinheiro dos investidores e compromete-se a devolvê-lo com juros nas condições definidas pela emissão. Neste caso, as emissões empresariais e municipais foram ofertas particulares, destinadas sobretudo a investidores institucionais, como bancos, institutos de segurança social e seguradoras; parte da dívida chegou também a pessoas singulares classificadas como investidores qualificados.
Óscar Santos, governador do Banco de Cabo Verde, afirmou no Mindelo que os dados demonstram a relevância crescente do mercado de capitais como canal de financiamento empresarial e alternativa ao crédito bancário. Ao mesmo tempo, avisou que o desenvolvimento não se mede apenas pelas emissões: é preciso aumentar a negociação, alargar a base de investidores e reforçar a transparência e a confiança.
O relatório do regulador confirma esse travão. O índice de rotatividade dos títulos caiu de 2,26% em 2024 para 0,08% em 2025. A AGMVM associa a baixa liquidez à cultura de manter os títulos até ao vencimento e ao défice de informação e literacia financeira entre investidores e potenciais investidores.
Óscar Santos apontou igualmente a diáspora como uma oportunidade estratégica para mobilizar recursos e salientou que o novo enquadramento dos títulos de diáspora abre novas possibilidades de investimento. Advertiu, porém, que a existência de um quadro legal não é suficiente: são necessários projetos credíveis, instrumentos adequados e mecanismos seguros e transparentes de participação.
Os 7.043,6 milhões de escudos mostram que as obrigações conseguiram mobilizar montantes próximos do crédito bancário para um grupo restrito de empresas com participação do Estado. Não demonstram, contudo, que as pequenas e médias empresas tenham o mesmo acesso, que os títulos sejam fáceis de revender ou que qualquer emissão seja adequada a todos os investidores.
Caboverde24.info
Fonte: Auditoria Geral do Mercado de Valores Mobiliários (AGMVM); Inforpress.
Foto: Ji-Elle / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. Atividade comercial num mercado da cidade da Praia, numa fotografia de arquivo de 2012. A imagem ilustra a economia local e não mostra as empresas emitentes nem os destinatários das obrigações de 2025. Recorte proporcional e ajustes conservativos de luz e contraste, sem alterar pessoas, produtos, estruturas, letreiros ou outros detalhes. Adaptação sob CC BY-SA 3.0.



























