A Capelli Sport recorre à justiça para travar a venda de camisolas de Cabo Verde por parte da Tempo Sport

“O sucesso inesperado dos Tubarões Azuis no Mundial 2026 gerou um conflito comercial e judicial entre a fornecedora oficial da seleção e uma marca rival austríaca que começou a vender equipamentos antigos a preço reduzido.”

Uma seleção que vale dinheiro

​A classificação histórica de Cabo Verde para os oitavos de final do Mundial 2026 transformou de imediato os Tubarões Azuis numa das maiores e mais bonitas revelações do torneio. Com ela vieram, em simultâneo, uma enorme atenção mediática, empatia global e, inevitavelmente, um forte interesse comercial. A procura pelas camisolas oficiais da seleção disparou nos mercados — e foi precisamente esse novo valor de mercado que desencadeou um conflito aberto entre duas marcas desportivas com desfecho direto nos tribunais.

Dois fornecedores, um problema

​A Capelli Sport é a fornecedora oficial da Federação Cabo-Verdiana de Futebol (FCF) para o Mundial 2026, com um contrato de exclusividade de quatro anos assinado logo depois de Cabo Verde já ter garantido formalmente a qualificação para o torneio. A marca de matriz americana comercializa presentemente os equipamentos da seleção no seu site oficial ao preço de 95 dólares por unidade.

​A Tempo Sport, por seu lado, foi a fornecedora de equipamentos anterior da seleção cabo-verdiana. A marca austríaca, devidamente registada mundialmente e com sede central na cidade de Viena, viu o seu contrato assinado com a FCF expirar por completo no final do ano de 2025. Ainda assim, após a rápida viralização de Cabo Verde no Mundial, a empresa começou a comercializar em regime de pré-venda camisolas ao preço promocional de 39 dólares — tratando-se do modelo usado pela seleção durante a fase de qualificação africana, que a marca designa comercialmente como edição “2025”.

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A carta de cessação

​A resposta jurídica da Capelli Sport foi o envio imediato de uma carta de cessação e desistência (cease-and-desist) dirigida aos escritórios da Tempo Sport, exigindo o fim imediato da comercialização dos equipamentos nas suas plataformas, com base na violação direta dos seus direitos exclusivos enquanto parceira técnica oficial da FCF.

​Em comunicado oficial, a Capelli Sport foi muito clara quanto à sua posição de princípio: o valor comercial líquido gerado pelo sucesso desportivo de Cabo Verde no Mundial deve reverter integralmente para a federação nacional, apoiar os jogadores e contribuir de forma sustentada para o desenvolvimento do futebol de base no arquipélago — e não beneficiar ilegalmente terceiros sem qualquer tipo de relação contratual ativa.

​A Tempo Sport optou por não responder aos pedidos de esclarecimento e comentário dirigidos pela imprensa especializada do setor.

O reverso do sucesso

​O caso ilustra com total clareza o que acontece nos bastidores quando uma seleção de reduzida expressão comercial se torna subitamente um fenómeno global na imprensa. Cabo Verde entrou na alta competição do Mundial como uma equipa totalmente fora do radar do mercado desportivo internacional. A sua campanha histórica no terreno alterou esse quadro de forma abrupta — e a Tempo Sport, apesar de já não deter qualquer vínculo contratual com a FCF, aproveitou habilmente a janela de visibilidade mediática para tentar capitalizar financeiramente sobre a marca da seleção.

​Para a Capelli Sport, que assumiu um sério compromisso de longo prazo com a federação cabo-verdiana antes de existir qualquer tipo de garantia de sucesso desportivo no torneio, a situação representa também uma questão de honra e de princípio: o investimento feito antecipadamente não pode ser livremente explorado por terceiros no exato momento em que gera retorno financeiro.

Recordamos que…

A marca Capelli Sport assinou um contrato formal de exclusividade de quatro anos com a FCF após a brilhante qualificação de Cabo Verde para o Mundial 2026, convertendo-se na primeira marca americana da história a vestir a seleção das ilhas numa fase final da FIFA. Por seu turno, a anterior parceira técnica Tempo Sport viu o seu vínculo contratual expirar no final de dezembro de 2025, motivando este choque judicial no mercado de equipamentos neste mês de junho de 2026.

Caboverde24.info

Fonte: Sportico

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