“Câmara Municipal moderniza frota enquanto pressiona pelo novo aterro sanitário”
A Câmara Municipal do Sal ampliou oficialmente sua capacidade de recolha de resíduos sólidos urbanos, quinta-feira 13 de agosto, com a apresentação de dois camiões IVECO de 15 m³ adquiridos em parceria com o Fundo do Ambiente. O reforço faz parte de um pacote de investimentos mais abrangente que posiciona a ilha como centro piloto nacional de tratamento e reciclagem de materiais.
Equipamentos integram estratégia maior
O investimento não se limita aos dois camiões. A autarquia já dispõe de uma máquina giratória em funcionamento, com duas retro escavadoras aguardando chegada. Este conjunto de equipamentos reflete uma mudança paradigmática na abordagem municipal: sair da simples recolha para uma gestão integrada de todo o ciclo de resíduos.
Segundo o presidente Júlio Lopes, o investimento responde diretamente às pressões decorrentes do status de Sal como ilha mais turística do país. “Faz parte de todo o investimento que a Câmara Municipal do Sal faz para dotar a ilha das capacidades para a recolha de lixo”, afirmou em declarações à imprensa.
Reaproveitamento de materiais ganha impulso
Um aspecto menos visível mas relevante é o sistema de recuperação de materiais. O município opera já um processo de segregação e exportação de metais, papelão, plástico e vidro — incluindo até carcaças de viaturas descartadas, que são recolhidas para exportação e reutilização.
”Já não se veem carcaças nas ruas porque há uma empresa que faz a recolha para exportação. Já temos um grande avanço na matéria de tratamento de lixo“, observou Lopes, sublinhando que o modelo municipal contempla todo o percurso do resíduo, desde a recolha domiciliar até ao reaproveitamento.
Responsabilidade cívica como fator crítico
Apesar dos meios técnicos reforçados, Lopes não deixou de sublinhar que a eficácia depende também dos cidadãos. O presidente dirigiu um apelo específico aos “segmentos da sociedade” que depositam resíduos de forma inadequada, incluindo entulhos dentro de centros urbanos.
”Temos contentores, camiões, temos todos os equipamentos. Só pedimos que certos segmentos acompanhem esta onda, porque deitar entulhos e lixo dentro das cidades é inaceitável”, exortou, numa crítica velada a práticas que sobrecarregam os serviços.
Aterro sanitário segue em negociação
O grande capítulo pendente é a desativação da lixeira de Morrinhi de Carvão. Lopes confirmou estar em contacto direto com o ministério do Ambiente para acelerar a construção de um novo aterro sanitário na zona norte da ilha. A intenção é transferir todas as operações de depósito final para uma unidade adequada, eliminando riscos ambientais associados à atual localização.
O presidente avaliou positivamente o momento atual: “O Sal atravessa um bom momento em matéria de saneamento”, mas reiterou que o sistema só funciona plenamente com envolvimento comunitário contínuo.
Caboverde24.info
Fonte: Inforpress
Nota Editorial: O modelo de Sal em gestão integrada de resíduos oferece uma oportunidade de aprendizagem nacional. Outras ilhas com pressões turísticas semelhantes — Boa Vista, Maio — poderão beneficiar de transferência de know-how.





























