“Projeto internacional procura perceber como as palmeiras de Cabo Verde poderão resistir à seca, ao calor e às mudanças do clima.”
Em 30 segundos
- 🌴 A tamareira de Cabo Verde está incluída num projeto internacional dedicado à conservação dos palmeirais da Macaronésia.
- 🧬 Os investigadores vão recorrer à genética, bancos de sementes e modelos de previsão para conhecer melhor as populações de palmeiras e a sua capacidade de adaptação.
- 🇨🇻 O Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário representa Cabo Verde no projeto.
- 🌡️ Menor disponibilidade de água e temperaturas mais elevadas estão entre as ameaças identificadas.
- 🇪🇺 A iniciativa é cofinanciada por fundos europeus através do programa de cooperação territorial entre Madeira, Açores e Canárias.
Uma pergunta sobre o futuro das palmeiras
Até que ponto a tamareira de Cabo Verde conseguirá adaptar-se a um futuro com menos água e temperaturas mais elevadas?
Parte da resposta poderá estar escondida na própria genética das palmeiras.
Cabo Verde participa num projeto científico internacional que procura estudar as populações naturais de palmeiras da Macaronésia e encontrar soluções capazes de aumentar a sua resistência perante os efeitos das alterações climáticas.
O programa, denominado Palmac, ganhou nova atualidade esta semana com o início de intervenções de recuperação e conservação nos palmeirais de Fuerteventura, nas Canárias.
Mas a investigação ultrapassa as ilhas espanholas. Inclui também a Phoenix atlantica, conhecida como tamareira de Cabo Verde.
Cabo Verde participa através do instituto de investigação agrária
A participação cabo-verdiana é assegurada pelo Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA).
A Universidade de Las Palmas de Gran Canaria é o principal parceiro e coordenador científico do projeto. Participam igualmente os cabildos de Fuerteventura e Gran Canaria e a empresa pública espanhola Gestão e Planeamento Territorial e Ambiental.
O programa é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional através do Interreg Madeira-Açores-Canárias 2021-2027.
A cooperação permite estudar problemas ambientais semelhantes em diferentes arquipélagos da Macaronésia e procurar soluções que possam ser aproveitadas em toda a região.
A genética pode ajudar a encontrar as palmeiras mais importantes
É aqui que entra uma das partes mais interessantes do projeto.
Os investigadores combinam análises genéticas com sistemas de informação geográfica, bancos de germoplasma e sementes e modelos capazes de prever a evolução das paisagens.
O objetivo é identificar exemplares e populações particularmente importantes para a conservação.
Na prática, conhecer melhor a diversidade genética das palmeiras pode ajudar os cientistas a perceber quais populações merecem especial atenção e a produzir informação para orientar futuras intervenções de recuperação e conservação.
Não se trata, portanto, apenas de proteger as palmeiras existentes. O projeto procura produzir conhecimento que permita preparar os palmeirais para condições ambientais que poderão tornar-se progressivamente mais difíceis.
Menos água e temperaturas mais elevadas
A tamareira de Cabo Verde e a palmeira-canária enfrentam problemas semelhantes.
Entre as ameaças destacadas pelos responsáveis pelo projeto encontram-se a redução dos recursos hídricos e o aumento das temperaturas, fatores que podem comprometer a sobrevivência dos palmeirais a médio e longo prazo.
Existem também riscos associados a pragas e a mudanças ambientais bruscas.
Nas Canárias, onde algumas intervenções já começaram, estão a ser testadas medidas concretas de conservação.
Entre elas encontram-se a vigilância fitossanitária, a retirada de folhas e outros restos vegetais secos, a redução da biomassa acumulada e a reutilização de parte desse material para ajudar o solo a conservar humidade e reduzir a erosão.
Alguns troncos de palmeiras mortas estão também a ser colocados transversalmente nas encostas para ajudar a travar a perda de solo fértil.
As experiências realizadas em diferentes locais poderão depois ser comparadas para perceber quais soluções apresentam melhores resultados.
Cabo Verde dentro de um laboratório natural maior
O interesse do projeto está também na possibilidade de comparar ilhas que, apesar das diferenças, enfrentam desafios ambientais semelhantes.
Cabo Verde e Canárias fazem parte da Macaronésia, região biogeográfica formada por arquipélagos atlânticos onde o isolamento favoreceu o desenvolvimento de espécies e ecossistemas particulares.
Essa condição torna as ilhas especialmente interessantes para estudar a forma como determinadas plantas respondem às alterações ambientais.
Ao comparar populações de palmeiras em diferentes territórios, os investigadores poderão compreender melhor quais características favorecem a resistência e quais populações poderão ser mais vulneráveis.
Uma espécie ligada à biodiversidade cabo-verdiana
A Phoenix atlantica tem particular importância para Cabo Verde por estar associada à biodiversidade própria do arquipélago.
A conservação das suas populações naturais não é, portanto, apenas uma questão paisagística.
Num país onde a disponibilidade de água constitui um desafio permanente e onde os efeitos das alterações climáticas poderão agravar períodos de seca e temperaturas elevadas, compreender a capacidade de adaptação das espécies locais ganha uma importância adicional.
A ciência procura agora antecipar algumas dessas respostas.
Genética, sementes, conhecimento do território e modelos de previsão serão utilizados para tentar perceber como preservar os palmeirais antes que eventuais processos de degradação se tornem mais difíceis de inverter.
E é precisamente aí que uma planta familiar da paisagem cabo-verdiana poderá revelar informações importantes sobre a forma como a natureza das ilhas conseguirá enfrentar um clima em transformação.
Caboverde24.info
Fontes: Cabildo de Fuerteventura — informação institucional sobre o programa Palmac, 28 de agosto de 2026.

























