Uma casa mais fresca sem ar condicionado? A tecnologia que Cabo Verde deve acompanhar

Em 30 segundos

  • ​☀️ Um novo nanomaterial consegue refletir grande parte da radiação solar e libertar calor para o exterior.
  • ​🌡️ Em testes ao ar livre, atingiu uma diferença máxima de 12,9 °C em relação à estrutura de referência.
  • ​⚡ O processo funciona de forma passiva, sem consumir eletricidade.
  • ​🏠 No futuro, poderá ser aplicado em telhados e fachadas, mas a tecnologia ainda está em fase experimental.

Refrescar sem ligar uma máquina

​Num país como Cabo Verde, onde sol e calor fazem parte do quotidiano e climatizar uma casa significa aumentar a conta de eletricidade, uma investigação realizada em Espanha merece atenção.

​Cientistas do Instituto de Micro e Nanotecnologia do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) espanhol desenvolveram uma estrutura extremamente fina à base de PVDF, um polímero capaz de ajudar uma superfície a manter-se mais fresca mesmo quando está exposta ao sol.

​Não necessita de ventiladores, compressores ou eletricidade.

Como funciona?

​O princípio chama-se arrefecimento radiativo passivo.

​O material faz essencialmente duas coisas: reflete grande parte da energia solar e, ao mesmo tempo, liberta calor através de radiação infravermelha para uma faixa da atmosfera através da qual essa energia pode ser dissipada.

​Nos testes, a versão mais eficiente refletiu cerca de 82% da radiação solar e apresentou uma elevada capacidade de emitir calor no infravermelho.

​Em experiências realizadas ao ar livre em Madrid, a estrutura revestida chegou a apresentar uma diferença de 12,9 °C relativamente à estrutura de referência.

O que isto poderia significar para Cabo Verde?

​É aqui que a investigação se torna especialmente interessante.

​Se materiais deste tipo chegarem ao mercado a preços acessíveis e puderem ser incorporados em telhados e fachadas, poderão ajudar edifícios expostos ao forte sol a aquecer menos durante o dia.

​Em Cabo Verde, isso poderia significar casas mais confortáveis e menor necessidade de recorrer continuamente ao ar condicionado ou a outros sistemas elétricos de climatização.

​Também poderá ser interessante para hotéis, escritórios, armazéns e outros edifícios com grandes superfícies expostas ao sol.

Mas ainda não substitui o ar condicionado

​Convém não confundir o resultado da experiência com uma redução garantida de 12,9 °C dentro de uma casa.

​Esse valor foi obtido numa estrutura experimental e comparado com uma referência não revestida. O comportamento num edifício real dependerá do clima, construção, isolamento, dimensão e outras condições.

​A tecnologia terá ainda de demonstrar eficácia, durabilidade, produção em grande escala e custos competitivos.

​Mas o princípio é suficientemente promissor para ser acompanhado.

​Para um arquipélago com muito sol e onde cada quilowatt de eletricidade poupado conta, conseguir que o próprio edifício ajude a combater o calor sem consumir energia seria mais do que uma curiosidade científica.

​Poderia tornar-se uma solução particularmente adequada à realidade cabo-verdiana.

Caboverde24.info

Fontes: Nanophotonics

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