Combustíveis mais caros: proposta para proteger alimentos e transportes recupera solução já prevista em Cabo Verde

​📌 Em 30 segundos

  • ​⛽ Combustíveis: aumento médio de 10,7% em outubro.
  • ​🛒 Alimentos e transportes: ADECO propõe benefícios fiscais seletivos para evitar novos aumentos de preços.
  • ​📜 Precedente: um mecanismo aprovado em março e regulamentado em abril já previa utilizar receitas fiscais adicionais para compensar aumentos.
  • ​💰 Por esclarecer: não se conhece o montante atualmente disponível para financiar novas medidas.

​O aumento pode chegar muito além das bombas

​O preço dos combustíveis voltou a subir em Cabo Verde e os efeitos poderão ultrapassar os custos suportados pelos automobilistas.

​Transportar mercadorias, distribuir alimentos e manter determinadas atividades produtivas torna-se mais caro quando aumenta o preço do gasóleo. Parte desses encargos pode acabar por chegar aos consumidores.

​É este efeito em cadeia que a Associação para a Defesa do Consumidor (ADECO) pretende reduzir.

​Em declarações divulgadas esta segunda-feira, 12 de outubro, pela agência Lusa, Marco Cruz, membro da direção da associação, defendeu que eventuais receitas fiscais adicionais resultantes do aumento dos combustíveis sejam utilizadas para aliviar os custos de atividades essenciais.

​A proposta inclui benefícios fiscais seletivos sobre combustíveis utilizados na produção e transformação alimentar, bem como medidas destinadas à eletricidade e aos transportes públicos.

​A ADECO admite também a criação de um fundo capaz de amortecer futuros períodos de aumentos acentuados.

​A solução fiscal já tinha sido prevista

​Há um precedente importante.

​Em 30 de março, a Resolução n.º 63/2026 aprovou medidas temporárias para limitar os aumentos dos combustíveis entre abril e junho.

​Na sua fundamentação, o diploma identificava expressamente os acréscimos de receitas fiscais decorrentes do aumento do valor aduaneiro dos produtos petrolíferos como uma das fontes de financiamento das compensações.

​O princípio foi desenvolvido no Despacho Conjunto n.º 56/2026, de 30 de abril, que estabeleceu o modelo de financiamento das medidas aplicáveis em maio.

​A utilização de receitas fiscais adicionais para amortecer os aumentos dos combustíveis já estava, portanto, prevista em documentos oficiais.

​O regime excecional terminou em junho, com o regresso ao mecanismo ordinário de formação dos preços.

​A diferença está no destino dos apoios: enquanto as medidas anteriores procuravam estabilizar diretamente os preços dos combustíveis, a ADECO propõe agora benefícios mais direcionados para atividades que influenciam o custo dos bens e serviços essenciais.

​O gás já tem proteção. E os outros setores?

​Segundo a Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME), os combustíveis registaram um aumento médio de 10,7% em outubro.

​A gasolina passou a custar 197,20 escudos por litro e o gasóleo normal 190,30 escudos.

​O gás butano recebeu um tratamento diferente.

​Ao abrigo da Resolução n.º 111/2026, de 30 de setembro, foi estabelecido um mecanismo excecional que permitiu ao Estado assumir 70% do diferencial de aumento.

​Desta forma, a subida suportada pelos consumidores em outubro ficou limitada a 5,73%, em vez dos 19,18% que resultariam da aplicação integral do mecanismo habitual.

​A proteção não foi estendida aos restantes combustíveis.

​A proposta da ADECO coloca agora uma questão: será possível criar apoios igualmente seletivos para atividades que influenciam diretamente os preços dos alimentos e dos transportes?

​Mas existem receitas suficientes?

​Este é o principal ponto ainda por esclarecer.

​O aumento do valor dos combustíveis importados pode gerar receitas fiscais adicionais, dependendo da tributação aplicável. Contudo, uma subida do preço não significa automaticamente que o Estado tenha mais dinheiro disponível.

​É necessário considerar os volumes vendidos, a receita efetivamente arrecadada e os compromissos financeiros já assumidos.

​Além disso, seria necessário definir quais as atividades elegíveis e como garantir que os benefícios concedidos chegassem aos consumidores através de preços mais baixos do que seriam praticados sem os apoios.

​Num comunicado divulgado em 1 de outubro, o Governo reconheceu a necessidade de aperfeiçoar o mecanismo de estabilização, incluindo os efeitos acumulados de aumentos sucessivos dos combustíveis.

​Até ao momento, não foi anunciada uma decisão que concretize as novas medidas seletivas propostas pela ADECO.

​Para os consumidores cabo-verdianos, a questão central continua a ser a mesma: como impedir que o aumento dos combustíveis se transforme numa subida generalizada do custo de vida?

​Caboverde24.info

​Fonte: Agência Lusa, 12 de outubro de 2026; ARME, atualização de outubro; Boletim Oficial, Resoluções n.º 63/2026, 95/2026 e 111/2026 e Despacho Conjunto n.º 56/2026; comunicado governamental de 1 de outubro de 2026.

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