Petróleo ultrapassa 105 dólares: combustíveis em Cabo Verde sob atenção

​📌 Em 30 segundos

​🛢️ Petróleo em alta: o Brent ultrapassou os 105 dólares por barril nesta quinta-feira, 8 de outubro.

​🚢 Pressão internacional: novos ataques a petroleiros e a suspensão de parte da produção norte-americana estão a influenciar o mercado.

​⛽ Cabo Verde: a gasolina custa 197,20 escudos por litro e o gasóleo normal 190,30 escudos.

​📅 Novembro: ainda não é possível prever se haverá novos aumentos nos combustíveis.

​Petróleo volta a subir nos mercados internacionais

​O preço do petróleo Brent voltou a subir fortemente nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, ultrapassando os 105 dólares por barril, num contexto de crescente preocupação com o abastecimento internacional de energia.

​Segundo a agência Reuters, às 09h41, hora de Cabo Verde, o Brent negociava a 105,20 dólares por barril, uma valorização de 4,99% relativamente ao fecho anterior.

​A subida acontece numa altura em que se intensificam os ataques contra navios petroleiros na região do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.

​Na quarta-feira, 7 de outubro, um petroleiro foi atingido por vários projéteis a cerca de 94 quilómetros a norte de Madinat ash Shamal, no Catar.

​A agência britânica de segurança marítima UK Maritime Trade Operations (UKMTO) comunicou a existência de vítimas, mas não divulgou o número nem esclareceu a gravidade das consequências humanas.

​O incidente reforçou as preocupações com a segurança da navegação e a continuidade dos fluxos de petróleo provenientes do Médio Oriente.

​Furacão nos Estados Unidos aumenta a pressão

​A situação internacional é também influenciada pelo furacão Isaias, que ameaça as áreas de produção petrolífera no Golfo do México.

​Perante a aproximação do fenómeno meteorológico, empresas como a Shell e a Chevron começaram a suspender preventivamente operações em algumas instalações.

​Segundo dados da Marine Minerals Administration (MMA), organismo do Departamento do Interior dos Estados Unidos que reuniu as funções do Bureau of Safety and Environmental Enforcement (BSEE) e do Bureau of Ocean Energy Management (BOEM), 25,08% da produção petrolífera offshore da região encontrava-se temporariamente interrompida em 7 de outubro, o equivalente a cerca de 512 mil barris por dia.

​A interrupção resulta de medidas preventivas de segurança. A retoma dependerá da passagem do fenómeno meteorológico e das inspeções às instalações.

​A conjugação das perturbações no Médio Oriente com as suspensões temporárias na produção norte-americana contribui para a volatilidade dos preços internacionais.

​Cabo Verde já enfrenta combustíveis mais caros

​A nova valorização do petróleo acontece apenas uma semana depois da entrada em vigor dos preços nacionais de outubro.

​A Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) anunciou, em 30 de setembro, um aumento médio de 10,70% nos combustíveis comercializados em Cabo Verde.

​Com a atualização, a gasolina passou a custar 197,20 escudos por litro, enquanto o gasóleo normal subiu para 190,30 escudos.

​A decisão teve como referência uma cotação média do Brent de 99,16 dólares por barril durante setembro, juntamente com a evolução dos preços internacionais dos derivados petrolíferos e a variação cambial.

​O preço observado nesta quinta-feira é superior àquela média mensal, mas não significa automaticamente que os consumidores enfrentarão outro aumento em novembro.

​O que poderá acontecer aos preços em novembro?

​A principal questão para os consumidores cabo-verdianos é saber se a nova subida internacional poderá refletir-se na próxima revisão dos combustíveis.

​Por enquanto, não existem elementos suficientes para antecipar essa decisão.

​O mecanismo nacional de atualização não depende exclusivamente do preço do petróleo bruto. Considera também as cotações internacionais da gasolina, do gasóleo e dos restantes derivados, além da evolução do euro face ao dólar.

​Se os preços internacionais permanecerem elevados durante outubro, poderão exercer pressão sobre a atualização de novembro. Uma eventual descida das cotações ou alterações cambiais poderá, contudo, modificar esse cenário.

​Há ainda a possibilidade de medidas excecionais de mitigação, como aconteceu em outubro com o gás butano. Nesse caso, uma intervenção do Governo limitou o aumento suportado pelos consumidores a 5,73%, quando a aplicação integral do mecanismo habitual teria resultado numa subida de 19,18%.

​Os restantes combustíveis continuam sujeitos ao regime ordinário de fixação de preços.

​O que importa acompanhar nas próximas semanas

​Os preços máximos atualmente publicados pela ARME vigoram até 31 de outubro.

​Até à próxima revisão, será importante acompanhar três indicadores: a evolução sustentada do Brent, os preços internacionais dos combustíveis refinados e a variação cambial.

​A cotação registada nesta quinta-feira representa um novo sinal de pressão internacional, mas uma subida num único dia não permite concluir que os combustíveis ficarão mais caros em novembro.

​A próxima atualização da ARME permitirá perceber se a pressão observada nos mercados internacionais durante outubro se traduzirá em alterações efetivas para os consumidores cabo-verdianos.

​Caboverde24.info

​Fontes: Reuters, 8 de outubro de 2026; UK Maritime Trade Operations, aviso n.º 158-26, de 7 de outubro; Marine Minerals Administration (MMA), Departamento do Interior dos Estados Unidos, 7 de outubro de 2026; Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME), 30 de setembro de 2026.

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