Cabo Verde vive, há anos, uma grave e insustentável crise na área da saúde. A escassez de médicos – especialmente cirurgiões – e de pessoal qualificado, tanto médico como de enfermagem, compromete seriamente o atendimento à população. Em algumas ilhas, não há sequer um cirurgião, e as evacuações médicas, além de caras, muitas vezes não resolvem o problema, com transferências diretas para o exterior que colocam vidas em risco.
Santa Maria, que recebe quase um milhão de turistas por ano, possui um centro de saúde que funciona apenas no horário de expediente, fecha aos fins de semana e não dispõe de equipa suficiente para funcionar como um verdadeiro pronto-socorro.
O lobby médico: barreira à entrada de profissionais
A influente Ordem dos Médicos de Cabo Verde impõe regras extremamente rígidas para o registo na profissão, requisito obrigatório para exercer no país. Na prática, estas regras criam um bloqueio à entrada de novos médicos, agravando a já grave falta de profissionais.
Legislação que afasta médicos estrangeiros: mais um entrave
As leis restritivas dificultam fortemente a entrada e atuação de médicos estrangeiros, fechando o sistema de saúde a competências que poderiam aliviar, de forma imediata, as falhas existentes.
Um potencial pronto a ser aproveitado: médicos estrangeiros, ONG e associações de voluntários
Ao simplificar o acesso de médicos estrangeiros ao mercado, abrir-se-ia a porta para que profissionais qualificados integrassem o sistema. Além das ONG — como a África Avanza, formada por médicos voluntários experientes, muitos já reformados — existem também associações de médicos que se oferecem para trabalhar gratuitamente em Cabo Verde, realizando consultas e intervenções que reduzem o sofrimento da população e diminuem a necessidade de evacuações para o exterior.
Desafios na área da saúde e seu impacto social
No contexto dos desafios sociais enfrentados pela comunidade cabo-verdiana, é importante destacar a grave crise na área da saúde pública em Cabo Verde, que amplia a complexidade da integração e do bem-estar da comunidade. Uma circular recente do Ministério da Saúde de Cabo Verde, datada de agosto de 2025, proíbe expressamente que profissionais da Brigada Médica Cubana atuem em estabelecimentos privados de saúde, conforme estabelecido pelo acordo bilateral entre os dois países. Essa medida evidencia a dificuldade na gestão e na disponibilização de recursos humanos qualificados na área da saúde, marcada por uma escassez profunda de médicos, em especial cirurgiões, e outros profissionais essenciais.
Reformas urgentes: o direito à saúde não se negocia
É urgente adotar reformas que agilizem o registo profissional e incentivem a colaboração com médicos estrangeiros, ONG e associações de voluntários. Não se trata apenas de uma decisão técnica, mas de uma questão moral e política.
Quem adia a solução: uma grave e inadmissível responsabilidade histórica
Adiar ou impedir estas mudanças é colocar os interesses de um grupo acima do bem-estar de toda a população, comprometendo um dos direitos fundamentais consagrados na Constituição: o direito à saúde. Ignorar este problema é uma escolha consciente, com consequências pesadas e duradouras na vida de milhares de cabo-verdianos.
Cape Verde24




































2 Responses
Gostaria de saber se com um diploma europeu posso trabalhar nos usa e vice versa? Para trabalhar em Portugal ou no Brasil que requisitos um licenciado deve ter. Falemos de coisas sérias. Cuidar de pessoas. Não é para qualquer um que apareça por aí a dizer que é médico
Falemos de factos concretos. Algum médico singular ou como empresa quis instalar em Cabo Verde e foi impedido? Algum investidor já pediu licença para investir na saúde e não teve autorização?