O cinema cabo-verdiano, embora ainda emergente, está se mostrando um poderoso veículo para contar a história, transmitir sentimentos e celebrar a identidade deste arquipélago atlântico. Ao longo dos últimos anos, cineastas locais e da diáspora vêm construindo uma filmografia capaz de dialogar com as tradições e inquietações do povo das ilhas. Conheça sete filmes essenciais para mergulhar na alma cabo-verdiana.
1. O Testamento do Senhor Napumoceno (1997)
Baseado no clássico romance de Germano Almeida, esta obra dirigida por Francisco Manso narra os segredos e a vida de um dos homens mais influentes de Mindelo. O filme revela os conflitos familiares, as aspirações e a busca por identidade, capturando o espírito da sociedade cabo-verdiana com delicadeza e profundidade.
2. Fintar o Destino (1998)
Com direção de Fernando Vendrell, este filme retrata o sonho tardio de Mane, ex-jogador e treinador de futebol. Ambientado em Mindelo, discute temas de superação e nostalgia, mostrando a profunda ligação do povo cabo-verdiano com o futebol e os sonhos nunca realizados.
3. Djon África (2018)
Nesta produção de João Miller Guerra e Filipa Reis, acompanhamos Miguel “Tibars” Moreira na busca por suas origens africanas, após uma vida em Portugal. O filme destaca a questão da identidade, da diáspora e do reencontro com o passado, proporcionando um olhar sensível sobre as conexões entre continentes e culturas.
4. Sodade (2024)
Dirigido por Sarah Grace, “Sodade” é a primeira longa-metragem cabo-verdiana a estrear comercialmente em Portugal. Gravado na ilha do Fogo, a produção celebra o sentimento de saudade que une Cabo Verde à sua vasta diáspora, e aborda temas como amor, migração, sacrifício e reconciliação, ilustrados por paisagens únicas.
5. Pirinha (2024)
O filme de Rita Neves explora as raízes folclóricas e espirituais das ilhas, acompanhando uma jovem em jornada de autodescoberta e cura. “Pirinha” destaca a força das mulheres e os rituais ancestrais, mostrando como o passado se entrelaça com a contemporaneidade insular.
6. Paradise Land (2022)
Sob a direção de Mário Vaz, “Paradise Land” revela a “morabeza” – hospitalidade autêntica das ilhas – e apresenta a diversidade cultural do arquipélago. O filme é um tributo à experiência dos emigrantes e à beleza dos vários cenários de Cabo Verde.
7. Hanami (2024)
Dirigido por Denise Fernandes, “Hanami” é uma das mais recentes e premiadas produções cabo-verdianas, rodada na ilha do Fogo. O filme narra a história de Nana, uma jovem marcada pela ausência da mãe, que partiu em busca de uma vida melhor. Enquanto muitos sonham em deixar as ilhas, Nana permanece e embarca numa jornada entre realismo mágico e dura realidade, descobrindo curas e memórias que refletem os laços femininos que moldam a vida nas ilhas. “Hanami” se destaca por abordar temas profundos de pertença, migração e reconciliação, sendo reconhecido internacionalmente em festivais como Locarno e Gotemburgo.
Outras indicações
Alma D’Carnaval (2023), documentário que celebra a festa emblemática de São Vicente, unindo gerações e mantendo viva a tradição cultural.
Buska Santu (2016), de Samira Vera-Cruz, e Kmêdeus: Come Deus (2020), de Nuno Boaventura Miranda, exemplos da nova geração do cinema cabo-verdiano que trazem a tradição crioula em narrativas contemporâneas.
Conclusão
Através destes filmes, o espectador pode sentir a pulsação das ilhas, conhecer a coragem, os sonhos e os dilemas que compõem a identidade cabo-verdiana. O cinema das ilhas é uma homenagem à saudade, à memória coletiva e ao desejo constante de celebrar a vida, resistir e se reinventar.
Cape Verde24
Fonte: IMDB.COM


























3 Responses
DE momento recordo a falta dos seguintes filmes : Segredo de um coração culpado – 1950, um filme amador
A Ilhas dos escravos de (2007 de Joaquim Manso. Baseado no roman ce O ESCravo dfe José Evaristo d’ Almeida.
Sem entrar na qualidade do filme em si, “Testamento” dificilmente passa no crivo de ser considerado um filme cabo-verdiano – o realizador é português e quase todo o elenco, com poucas exceções (o meu amigo Manuel Estévão vem à mente) é composto por atores brasileiros que dialogam com sotaques portugueses fingidos.
Por outro lado, faltam aqui alguns filmes (estes sim falados em língua cabo-verdiana) que, apesar dos realizadores não serem filhos das ilhas e de terem sido rodados na Europa, têm temáticas e elencos inteiramente (ou quase) cabo-verdianos, como “Cavalo Dinheiro” ou “Vitalina Varela” (do Pedro Costa) ou “Manga d’Terra” (do Basil da Cunha) e que também são de uma qualidade e beleza indubitável.
Pirinha (2024) o filme é da realizadora Natasha Craveiro