“Unindo diplomacia, artes, música e desporto, recordamos o legado eterno daqueles que partiram e deixaram a nação mais pobre”
O ano de 2025 encerra-se com um sentimento de profunda gratidão e saudade. Ao longo das últimas décadas, Cabo Verde tem trabalhado na consolidação da sua identidade e na preservação da memória daqueles que lutaram pela nossa liberdade e dignidade cultural. Recordamos que o falecimento destas figuras ilustres não é apenas um luto familiar, mas um momento de balanço sobre o património imaterial que estas mentes brilhantes legaram à nação.
O ciclo da vida é inevitável, mas a marca deixada por indivíduos excecionais é capaz de transcender a própria existência física. Para Cabo Verde, 2025 ficará gravado como o ano em que silenciaram vozes que, através da diplomacia, das artes, do desporto e da música, elevaram o nome das dez ilhas ao patamar da imortalidade. Ao olharmos para o percurso deste ano, vemos um arquipélago que se despede de gigantes, deixando um legado que agora pertence a todos nós.
Diplomatas e criadores: pilares de uma nação
A política externa cabo-verdiana perdeu um dos seus maiores estrategistas com a partida de José Filomeno Monteiro. Antigo Ministro e Embaixador, Monteiro foi fundamental na consolidação da Parceria Especial com a União Europeia, um marco que mudou a nossa trajetória de desenvolvimento. A sua visão de um Cabo Verde integrado e respeitado no mundo serve de bússola para a diplomacia nacional.
Já nas artes plásticas, o pincel de Euclides Eustáquio Lima, o eterno Kiki Lima, descansou finalmente em julho. Considerado um dos pintores cabo-verdianos mais reconhecidos internacionalmente, Kiki não pintava apenas telas; ele capturava a alma e o movimento do nosso povo. As suas obras são o testemunho visual da nossa “morabeza” e continuarão a inspirar gerações de novos artistas que procuram retratar a nossa identidade.
Paixão no campo e ritmo nas ilhas
No desporto, o luto vestiu-se de azul e branco com a partida precoce de Jorge “Djodjê” Conceição. O selecionador nacional de futebol Sub-17 não era apenas um técnico; era um formador de homens que acreditava no potencial sem fronteiras da juventude cabo-verdiana. A sua vitória nos Jogos da CPLP 2025 foi o seu último grande ato de serviço à pátria, deixando um vazio difícil de preencher nos relvados nacionais.
Para além das figuras de grande exposição mediática, o ano de 2025 levou outras personalidades essenciais que, no silêncio do seu trabalho e dedicação, moldaram as suas comunidades e preservaram as nossas raízes culturais.
Homenagem às figuras ilustres (2025)
Um legado que se perpetua
Honrar quem partiu é dar continuidade ao seu trabalho. José Filomeno, Kiki Lima, Djodjê, Nonô e tantos outros ilustres filhos destas ilhas deixaram-nos as ferramentas para o futuro. Cabo Verde despede-se de 2025 com o coração pesado, mas com a certeza de que a obra destas figuras continuará a germinar em cada nova conquista da nossa nação. Cabe agora aos que ficam garantir que a diplomacia continue forte, que a arte continue vibrante e que o desporto e a liberdade sejam sempre defendidos com a mesma paixão.
Que a terra lhes seja leve e a memória eterna.
Cape Verde 24.info



















