“Após as cheias devastadoras de 2025, a intervenção focada em saneamento e higiene devolve a dignidade e a segurança a mais de 10 mil estudantes cabo-verdianos”
É importante recordar que, entre a noite de 10 e 11 de agosto de 2025, as ilhas de São Vicente e Santo Antão foram atingidas por chuvas torrenciais sem precedentes. O fenómeno resultou em cheias rápidas e deslizamentos de terra que afetaram cerca de 119.000 pessoas em todo o arquipélago. Os danos foram extensos, com mais de 2.500 edifícios danificados e a destruição de infraestruturas críticas, como estradas, pontes e redes de abastecimento de água, gerando uma crise humanitária que exigiu uma resposta rápida e coordenada.
O impacto nas infraestruturas educativas
As escolas, centros vitais para a comunidade, não foram poupadas. Em Mindelo, instituições como a Escola Luís Morais e o Agrupamento Escolar de Ribeirinha viram os seus muros de proteção ruírem e as salas de aula serem invadidas por lama e detritos. A destruição dos sistemas de água e eletricidade impossibilitou o funcionamento normal, deixando as crianças vulneráveis a riscos sanitários. Para muitas famílias que perderam os seus bens, a escola representa o único local seguro para deixar os filhos enquanto trabalham na reconstrução das suas vidas.
A Iinervenção técnica e humanitária
Entre setembro e novembro de 2025, uma equipa de especialistas em água, higiene e saneamento (WASH) foi mobilizada para São Vicente. O objetivo foi claro: avaliar e reparar as infraestruturas nas escolas mais atingidas. Os trabalhos incluíram a recuperação de casas de banho, lavatórios, cozinhas, chuveiros e reservatórios de água potável. Um ponto de destaque foi a adaptação das instalações para pessoas com mobilidade reduzida, garantindo a inclusão no acesso ao saneamento.
Educação para a saúde e higiene
Além das obras estruturais, o projeto implementou sessões de promoção da higiene. O resultado é visível no comportamento dos alunos, que agora adotam práticas como a lavagem regular das mãos de forma autónoma. Esta mudança cultural é fundamental para prevenir doenças e fortalecer a resiliência das comunidades face a futuros eventos climáticos. A intervenção foi um esforço conjunto da Cruz Vermelha de Cabo Verde, com apoio da Cruz Vermelha Espanhola, da Federação Internacional (IFRC) e do Centro de Crise do governo francês.
Quem é a Cruz Vermelha de Cabo Verde?
A Cruz Vermelha de Cabo Verde (CVCV) é uma instituição humanitária de utilidade pública, auxiliar dos poderes públicos, que atua na proteção da vida e da saúde no arquipélago. Com uma forte rede de voluntários em todas as ilhas, a organização desempenha um papel crucial na gestão de desastres, apoio social às populações vulneráveis e promoção da saúde pública, sendo um pilar fundamental da resiliência nacional cabo-verdiana.
Caboverde24.info
Fonte e foto: Croix-Rouge française (Relatório de 26 de janeiro de 2026).
Nota Editorial: As informações publicadas baseiam-se nos dados oficiais fornecidos pelas organizações humanitárias envolvidas na resposta às cheias de 2025.







































