O “pupilo” da Ilha do Sal, que representa a Espanha, brilha em casa e supera o mestre numa exibição de gala que reafirma o domínio do jovem cabo-verdiano no kitesurf mundial
A herança das ondas e o triunfo da técnica
A mítica praia de Ponta Preta, na ilha do Sal, foi palco de um momento que ficará gravado na história do kitesurf mundial. No encerramento da etapa do GKA Kite-Surf World Tour 2026, o destino cruzou dois dos maiores nomes do desporto: Matchu Lopes e Airton Cozzolino. Num confronto que muitos apelidaram de “final antecipada”, Matchu conseguiu o feito de superar aquele que é considerado por muitos como o seu mestre e o competidor mais temido do circuito, provando que a conexão espiritual com as ondas de “casa” pode desafiar qualquer favoritismo.
O duelo foi marcado por uma tensão eletrizante. Airton Cozzolino chegou aos quartos-de-final com a maior pontuação do evento até então, mas a fluidez e a leitura de onda magistral de Matchu Lopes ditaram o resultado. Foi a confirmação de que, no desporto, a evolução é constante e os pupilos guardam sempre um trunfo para os momentos de maior pressão.
Quem são Matchu Lopes e Airton Cozzolino?
Matchu Lopes e Airton Cozzolino são os rostos da “Escola de Cabo Verde”, embora hoje representem bandeiras diferentes no circuito profissional por questões logísticas e de patrocínio. Matchu Lopes, nascido no Sal, compete sob a bandeira de Espanha. É reconhecido mundialmente pela sua elegância e por um estilo de surf que privilegia a fluidez. Já Airton Cozzolino, também filho da terra, representa a Itália. Pentacampeão mundial, Airton é um fenómeno de potência e inovação, sendo frequentemente apontado como o mestre absoluto da disciplina “strapless”. Ambos cresceram a partilhar as mesmas ondas, mantendo uma rivalidade baseada no respeito mútuo.
O tabuleiro das nacionalidades e resultados
A competição em Ponta Preta refletiu a diáspora do talento salense. Embora os atletas ostentem licenças desportivas europeias, a alma das manobras e o conhecimento do mar são puramente cabo-verdianos.
Um talento que voa com outras bandeiras
Apesar da festa e do espetáculo, fica no ar um sentimento de melancolia para os amantes do desporto nacional. É lamentável que campeões desta envergadura, nascidos e criados nas nossas águas, se vejam forçados a competir sob bandeiras estrangeiras. A falta de patrocínios robustos e de apoios estruturais em Cabo Verde empurra os nossos maiores talentos para federações como a espanhola ou a italiana, que oferecem as condições financeiras necessárias para suportar os custos de um circuito mundial. Enquanto o talento é puramente “Made in Cabo Verde”, o reconhecimento oficial e as medalhas acabam por alimentar currículos desportivos de outras nações, evidenciando a necessidade urgente de maior investimento no desporto de elite nacional.
Caboverde24.info
Fonte e fotos: GKA Kite World Tour
Nota Editorial: O texto reflete a realidade económica do desporto profissional, onde a busca por patrocínios internacionais muitas vezes obriga à mudança de nacionalidade desportiva.





































