Agências de saúde europeias revelam surto de Shigelose em Cabo Verde com mais de 700 turistas afetados

“Relatórios do ECDC e de autoridades do Reino Unido confirmam centenas de casos de infeção bacteriana grave; famílias britânicas avançam com processos judiciais após mortes suspeitas nas ilhas do Sal e Boa Vista”

O setor turístico de Cabo Verde enfrenta uma crise de confiança após a divulgação de dados alarmantes por parte do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) e da Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA). Segundo estas agências, mais de 700 turistas foram diagnosticados com shigelose após estadias no arquipélago, expondo falhas críticas na segurança sanitária de alguns dos principais resorts do país.

​O alerta das Autoridades Europeias

​A investigação das agências de saúde revela que o surto, provocado pela bactéria Shigella sonnei, tem tido um impacto desproporcional em turistas europeus, com o Reino Unido a registar o maior número de notificações.

  • A gravidade: A shigelose causa uma forma severa de gastroenterite, com sintomas que incluem diarreia com sangue, febres altas e desidratação extrema.
  • O rasto: As agências estão a investigar a possível ligação desta bactéria à morte de quatro turistas britânicos entre agosto e outubro de 2025, todos hospedados em unidades hoteleiras na Ilha do Sal.

​Batalha judicial contra operadores e hotéis

​Com base nas revelações das agências de saúde, dezenas de turistas decidiram levar o caso à justiça. O foco dos processos recai sobre o operador turístico TUI e a cadeia de hotéis RIU.

​Os advogados de acusação sustentam que os padrões de higiene eram inaceitáveis. “Os dados das agências europeias corroboram o que os nossos clientes dizem: houve uma falha sistémica na gestão de alimentos e águas nestes resorts”, afirmam os representantes legais das vítimas.

​A resposta de Cabo Verde

​As autoridades cabo-verdianas, embora reconheçam os dados internacionais, têm tentado mitigar o impacto das notícias:

  1. Contestação de dados: O Governo afirma que os números podem estar inflacionados por diagnósticos feitos fora do território nacional e sem prova de origem local.
  2. Defesa da segurança: O Ministério do Turismo assegura que as inspeções foram reforçadas e que Cabo Verde continua a seguir protocolos internacionais de segurança alimentar.
  3. Impacto económico: Há um receio latente de que estes alertas, vindos de agências de saúde europeias, possam afetar as reservas para a próxima época alta.
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Reações e medidas de prevenção

​A Inspeção Geral das Atividades Económicas (IGAE) e o Ministério da Saúde de Cabo Verde já intensificaram as fiscalizações nas estâncias turísticas. O objetivo é isolar a fonte de contaminação para proteger a imagem do destino e a saúde pública nacional.

Recomendações urgentes para residentes e turistas:

    • ​Consumir exclusivamente água engarrafada e selada.
    • ​Evitar o uso de gelo em bebidas.
    • ​Reforçar a lavagem das mãos com sabão antes de qualquer refeição.
    • ​Optar por alimentos bem cozinhados e servidos quentes.

Nota Editorial: O impacto deste surto na economia nacional poderá ser significativo se não houver uma resposta rápida e transparente por parte dos operadores hoteleiros e das autoridades reguladoras.

Caboverde24.info

Fonte: Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC)

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