“Novas regras de vistos dos Estados Unidos criam barreira financeira para adeptos e podem afetar até a comitiva da seleção nacional”
A histórica qualificação de Cabo Verde para o Mundial de Futebol de 2026, garantida com brilhantismo em outubro passado, está agora a ser ensombrada por uma barreira diplomática e financeira inesperada. O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou a expansão de um programa piloto que exige o pagamento de uma caução (fiança) substancial para a obtenção de vistos de turista B-2. Cabo Verde, devido às taxas de permanência irregular registadas nos últimos anos, é uma das nações visadas pela medida.
Para o adepto comum que planeava atravessar o Atlântico para apoiar os Tubarões Azuis, o custo da viagem acaba de disparar. Além das passagens aéreas e alojamento, poderá ser necessário depositar até 15 mil dólares (cerca de 1,5 milhões de escudos) como garantia de que abandonará o território americano após o torneio. Esta exigência aplica-se a cidadãos de 50 nações, mas atinge de forma particular os países africanos qualificados para a prova, como Senegal, Argélia e Tunísia.
O entrave das “entradas únicas”
Um detalhe técnico que está a alarmar as agências de viagens é o facto de estes vistos, emitidos sob o regime de caução, serem maioritariamente de “entrada única” e com validade limitada a três meses. Como o Mundial’2026 é organizado conjuntamente pelos EUA, Canadá e México, os adeptos que pretendam seguir a seleção entre cidades de diferentes países poderão encontrar dificuldades intransponíveis, uma vez que, ao saírem dos EUA para um jogo no México, não poderão regressar sem um novo processo ou autorização especial.
A medida é vista por analistas como uma tentativa de endurecer o controlo migratório num momento em que se espera um fluxo sem precedentes de visitantes. Para a economia de Cabo Verde, o impacto é direto, pois limita a capacidade da massa associativa de se deslocar e apoiar a seleção no seu maior palco de sempre.
Resumo das exigências de caução para o Mundial 2026
Quem é o “Programa de Caução de Vistos?”
O “Visa Bond Pilot Program” é uma iniciativa reativada e expandida pela administração norte-americana, sob a direção do Secretário de Estado Marco Rubio, para reforçar o controlo migratório. Este programa confere aos oficiais consulares a autoridade para exigir um depósito em dinheiro como condição para a emissão de vistos temporários.
O objetivo central é criar um desincentivo financeiro à imigração ilegal. Embora o valor seja reembolsável após o regresso do visitante ao seu país de origem, o processo exige que o requerente tenha liquidez imediata. O reembolso é processado eletronicamente, mas qualquer violação das condições do visto — como exceder o tempo de permanência em apenas um dia — resulta na perda total do montante depositado para os cofres do Tesouro dos EUA.
Incerteza sobre a comitiva e atletas
Um dos aspetos mais polémicos da diretiva é a ausência de exceções claras para delegações desportivas oficiais. Ao contrário de políticas anteriores que facilitavam a entrada de atletas e equipas técnicas, as regras atuais sugerem que até mesmo membros da Federação Cabo-verdiana de Futebol ou jogadores que não possuam passaporte europeu podem ser sujeitos à avaliação da caução.
A FIFA tem mantido conversações intensas com as autoridades americanas para tentar flexibilizar estas exigências durante o período do torneio, que decorre entre junho e julho de 2026. No entanto, o Departamento de Estado tem reiterado que a segurança e o controlo das fronteiras são a prioridade máxima, deixando a Federação e o Governo de Cabo Verde numa corrida contra o tempo para assegurar que a logística da seleção não seja prejudicada.
Caboverde24.info
Fonte: Departamento de Estado dos EUA
Imagem: Gerada com IA







































