O que é a esquistossomose que preocupa as autoridades em Santiago?

“Entenda a doença parasitária identificada na Ribeira do Principal e os riscos para a saúde pública”

A recente confirmação de casos de esquistossomose na Ribeira do Principal, no município de São Miguel, trouxe à tona a necessidade de informar a população sobre uma patologia que exige cuidados redobrados com a água. A descoberta, liderada pelo cientista Maximiano Fernandes, foca-se num grupo de crianças, mas o alerta estende-se a todos os que frequentam as zonas húmidas do interior de Santiago.

​Pode acompanhar os detalhes da investigação no vídeo abaixo:

O foco na Ribeira do Principal

​A investigação epidemiológica identificou nove casos positivos na localidade de Mato Dento. A escolha desta área para o estudo não foi casual, dado o contacto próximo da comunidade com as águas da ribeira. A presença do parasita nestes locais de água doce é o motivo central da preocupação das autoridades de saúde, que agora procuram evitar que a infecção se espalhe para outras zonas da ilha.

​O que é a esquistossomose?

​Também conhecida como “doença dos caracóis”, a esquistossomose é uma infecção causada pelo parasita Schistosoma. O ciclo de transmissão é simples, mas perigoso: o parasita utiliza caracóis de água doce como hospedeiros. Estes libertam larvas na água que, ao entrarem em contacto com a pele humana, penetram silenciosamente no organismo.

​Uma vez dentro do corpo, os parasitas instalam-se nos vasos sanguíneos. Dependendo da espécie, podem afetar o sistema urinário ou intestinal, causando inflamações crónicas que, se não tratadas, podem evoluir para situações de extrema gravidade.

Quem é Maximiano Fernandes?

​Maximiano Fernandes é um destacado cientista e investigador do grupo Bioanalítica. O seu trabalho tem sido fundamental para o diagnóstico de doenças negligenciadas em Cabo Verde. Ao realizar inquéritos no terreno e análises microscópicas, Fernandes conseguiu confirmar a presença da doença em São Miguel, apelando agora a uma ação coordenada entre o Ministério da Saúde e as entidades de turismo para sinalizar as zonas de risco.

​Riscos e tratamento

​O grande perigo da esquistossomose reside na sua cronicidade. Muitas vezes, a pessoa infectada não apresenta sintomas imediatos graves, o que retarda a procura por assistência médica. Em Santiago, a preocupação maior é a evolução para o cancro da bexiga ou do colo do útero, complicações que o investigador Maximiano Fernandes sublinhou como possíveis se a infecção persistir sem tratamento.

​O tratamento é realizado através de medicamentos antiparasitários específicos que são altamente eficazes quando administrados a tempo. A prevenção, contudo, continua a ser a melhor arma, passando pela melhoria do saneamento básico e pela sensibilização das famílias para não utilizarem águas de ribeiras contaminadas.

​Caboverde24.info

​Fonte: RTC – Rádio Televisão Cabo-verdiana

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