“O empresário colombiano acusado de ser o principal operador financeiro do regime de Maduro foi entregue a Washington pela Venezuela — cinco anos depois de ter saído das ilhas a bordo de um avião americano.”
Um caso que começou no Sal
Em junho de 2020, a Interpol deteve Alex Saab em Cabo Verde durante uma paragem técnica do seu avião, que seguia em direção ao Irão. O empresário colombo-venezuelano ficaria retido nas ilhas durante mais de dezasseis meses, tornando-se protagonista de um dos casos jurídicos e diplomáticos mais complexos da história recente do arquipélago.
A detenção colocou Cabo Verde no centro de uma disputa entre o regime do presidente Nicolás Maduro, que alegava as funções diplomáticas de Saab à data da prisão, e os Estados Unidos, que reclamavam a sua extradição por suspeitas de lavagem de dinheiro.
O arquipélago acabou por extraditá-lo para os EUA em outubro de 2021, após uma longa batalha judicial que percorreu o Supremo Tribunal de Justiça e o Tribunal Constitucional cabo-verdiano.
O regresso a Caracas e a nova queda
Em dezembro de 2023, Saab foi libertado como parte de um acordo de troca de prisioneiros entre a Venezuela e os EUA, regressando a Caracas onde foi recebido como figura política próxima do governo de Maduro.
Em outubro de 2024, foi nomeado ministro das Indústrias e Produção Nacional da Venezuela, cargo do qual foi exonerado em janeiro de 2026, após a mudança de governo. Depois da sua saída do gabinete, o empresário foi detido novamente pelo Sebin, juntamente com o empresário de media Raúl Gorrín, e permaneceu preso em El Helicoide até ao seu traslado para Fuerte Tiuna.
Saab foi retirado da prisão El Helicoide e transferido sob estrita custódia para o Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, sendo depois enviado para a Florida.
O governo interino da Venezuela, presidido por Delcy Rodríguez — após a captura de Maduro pelos EUA em janeiro de 2026 — classificou a medida como “deportação”, invocando a legislação migratória venezuelana e o facto de Saab estar “incurso na comissão de diversos delitos nos Estados Unidos da América”. Existe, contudo, um debate jurídico sobre se se tratou de uma extradição formal ou de uma simples entrega direta entre governos.
O que está em jogo para a justiça americana
A extradição de Saab coloca o foco diretamente sobre Nicolás Maduro e a sua esposa Cilia Flores, atualmente investigados pela justiça norte-americana em Nova Iorque. Os analistas destacam que a cooperação de Saab poderá ser decisiva para esclarecer as redes financeiras do chavismo e avançar em processos judiciais abertos contra antigos altos funcionários do regime.
A grande incógnita é quanto está disposto a revelar perante a justiça americana, dado que conhecia desde o interior o funcionamento financeiro do chavismo, os mecanismos para contornar sanções internacionais e as estruturas económicas que sustentaram o regime durante anos.
Quem é Alex Saab?
Nascido em Barranquilla, na Colômbia, de origem libanesa, Saab começou como empresário no comércio internacional. A sua ascensão deu-se através de contratos governamentais sobrevalorizados com o Estado venezuelano, incluindo o programa CLAP, criado em 2016 para importar alimentos para a população mais pobre durante a crise de abastecimento. Foi posteriormente designado presidente do Centro Internacional de Investimentos Produtivos e ministro das Indústrias e Produção Nacional até janeiro de 2026.
Em 2019, procuradores federais em Miami indiciaram-no por lavagem de dinheiro, relacionada com um suposto esquema de suborno ligado a contratos de habitação social que nunca foram construídos. O Departamento do Tesouro dos EUA já o tinha sancionado nesse mesmo ano.
We recall that...
Cabo Verde foi o palco central do primeiro capítulo deste caso. Em junho de 2020, Saab foi detido na ilha do Sal durante uma escala técnica. Durante os dezasseis meses que permaneceu no arquipélago, o caso gerou pressão diplomática intensa da Venezuela e de países aliados, pareceres favoráveis à sua libertação por parte de organismos da CEDEAO e da ONU, e uma longa disputa nos tribunais cabo-verdianos. Em outubro de 2021, o Tribunal Constitucional confirmou a extradição, e Cabo Verde entregou-o aos EUA. Cinco anos depois, após um breve regresso ao poder em Caracas, Saab volta a enfrentar a justiça americana — desta vez enviado pela própria Venezuela.
Caboverde24.info
Fonte: SAIME (Venezuela), El Tiempo, Infobae



















