“Com 53% dos eleitores em casa e o portal oficial fora do ar, Francisco Carvalho anuncia a maioria absoluta”
PAICV na frente — mas os dados finais ainda não estão fechados
Com 98,1% das mesas de voto apuradas — 1.308 de um total de 1.333 —, o PAICV lidera de forma clara as eleições legislativas de 17 de maio de 2026, com 88.966 votos (46,7%) e 33 mandatos já garantidos. O MpD segue com 83.190 votos (43,6%) e 30 deputados, e a UCID com 9.793 votos (5,1%) e 2 mandatos. Restam ainda 7 deputados por distribuir, provenientes dos círculos ainda não totalmente apurados.
O presidente do PAICV, Francisco Carvalho, já anunciou a conquista da maioria absoluta, com fontes partidárias a apontar para 37 dos 72 deputados. Número que, a confirmar-se com os restantes círculos, garante a governação sem necessidade de coligações. Os dados definitivos são esperados para as próximas horas.
Os números que o país tem neste momento
Dados provisórios — 98,1% das mesas apuradas, às 06h45 de 18 de maio de 2026
A vantagem do PAICV sobre o MpD é de apenas 5.776 votos — uma diferença que ilustra bem o quanto estas foram as eleições mais renhidas da história recente do país.
A noite negra da UCID
Se para o PAICV foi uma noite de celebração, para a União Cabo-verdiana Independente e Democrática foi uma noite para esquecer. A UCID obteve 9.793 votos (5,1%) e elegeu apenas 2 deputados — exactamente metade dos 4 que tinha conquistado em 2021.
O resultado é tanto mais doloroso quanto a estratégia do partido assentava precisamente no cenário oposto. Durante toda a campanha, a UCID posicionou-se como possível fiel da balança num parlamento sem maioria absoluta, esperando ganhar peso negocial e visibilidade. A maioria absoluta do PAICV eliminou essa hipótese por completo.
Com dois únicos deputados, a UCID fica reduzida a uma presença simbólica na Assembleia Nacional, sem capacidade de influenciar legislação nem de condicionar o executivo. A liderança do partido terá agora de responder a uma pergunta incómoda: o que correu mal e o que muda a partir de agora?
A geografia da vitória: surpresas em Sal e Santo Antão
No mapa dos círculos eleitorais, o PAICV venceu em 9 círculos: São Vicente, São Nicolau, Boa Vista, Santiago Sul, Fogo, Brava, África, Américas e Europa e Resto do Mundo. O MpD ficou à frente in 4 círculos: Santo Antão, Sal, Maio e Santiago Norte.
Os resultados de Sal e de Santo Antão causaram surpresa. A ilha do Sal — fortemente marcada pelo turismo e com uma presença histórica do MpD — manteve-se no campo verde, contrariando as expectativas de muitos que antecipavam uma viragem após as autárquicas de dezembro de 2024. Santo Antão, com a sua divisão interna entre Porto Novo (PAICV nas autárquicas) e Ribeira Grande e Paul (MpD), confirmou a resistência do partido no poder naquela ilha. São resultados que merecem análise aprofundada quando os dados definitivos forem publicados.
O maior “partido” desta noite: a abstenção
O número que mais preocupa não está na coluna dos votos expressos. De 408.731 eleitores inscritos, apenas 190.644 foram votar — uma participação de 46,6%. Significa que 218.087 cabo-verdianos — 53,4% do eleitorado — ficaram em casa.
Para perceber a dimensão do problema, basta olhar para a evolução histórica:
Em dez anos, a abstenção cresceu quase 20 pontos percentuais. Nunca, desde a introdução do multipartidarismo in 1991, tantos cabo-verdianos tinham optado por não participar. O novo governo terá de governar sabendo que mais de metade dos cidadãos registados escolheu o silêncio.
Registam-se ainda 2.002 votos nulos (1,1%) e 2.673 votos em branco (1,4%) — mais um sinal de descontentamento de quem foi às urnas mas recusou escolher.
A noite em que o NOSI falhou Cabo Verde
A falha mais embaraçosa da noite não foi política — foi técnica. O portal eleicoes.cv, gerido pelo NOSI (Núcleo Operacional para a Sociedade de Informação), esteve inacessível ou sem atualização durante longas horas, precisamente quando mais de 400 mil eleitores e toda a diáspora cabo-verdiana aguardavam os primeiros resultados provisórios, previstos para as 19h00 hora local.
O NOSI apresenta-se publicamente como parceria tecnológica de referência dos processos eleitorais cabo-verdianos, garantindo “celeridade, transparência e eficiência”. Na noite de 17 de maio, nenhuma dessas três promessas foi cumprida.
Esta falha não é um pormenor técnico — é uma falha institucional que afeta a confiança dos cidadãos no processo eleitoral e merece uma resposta pública urgente.
Ulisses demite-se, Francisco promete
Do lado do MpD, o primeiro-ministro cessante Ulisses Correia e Silva reconheceu a derrota, felicitou o adversário e anunciou a demissão da liderança do partido, abrindo caminho a uma renovação interna. Garantiu uma transição governativa tranquila e pacífica.
Francisco Carvalho prometeu cumprir o programa eleitoral do PAICV — acesso gratuito à universidade pública, cuidados de saúde sem custos e viagens inter-ilhas de barco a 500 escudos —, com a ressalva de que as medidas que exijam alterações constitucionais dependem de uma colaboração do MpD que considera improvável.
O que vem a seguir
Os resultados definitivos serão publicados pela Comissão Nacional de Eleições nas próximas horas. Após a confirmação oficial, seguem-se a validação pelo Tribunal Constitucional e a tomada de posse do novo governo, prevista para as próximas semanas.
Caboverde24.info
Fonte: Portal eleicoes.cv — dados de 18 de maio de 2026, 06h45 hora local – Imagem: Expresso.pt
Nota Editorial: Os dados desta publicação refletem 98,1% das mesas apuradas (1.308 de 1.333). Restam 7 deputados por distribuir. O número final de mandatos do PAICV — anunciado internamente como 37 — aguarda confirmação oficial pela DGAPE. O Caboverde24.info atualizará esta notícia assim que os resultados definitivos forem publicados.

































