Cabo Verde: quase oito em cada dez pessoas usam internet, mas o computador ainda é raro em casa

“Os dados do INE para 2025 mostram um país cada vez mais conectado, onde o telemóvel se tornou a principal — e muitas vezes única — janela para o mundo digital.”

Uma taxa que surpreende

​Quando se fala de conectividade em África, Cabo Verde surge frequentemente como um caso de referência. Os dados do Inquérito Multiobjectivo Contínuo (IMC) de 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, confirmam essa tendência: 77,3% da população com 10 ou mais anos utilizou internet nos três meses anteriores ao inquérito, face a 74% em 2024.

​Para um pequeno arquipélago insular de cerca de 600 mil habitantes, disperso pelo Atlântico, este número é expressivo — e merece ser lido com atenção.

Um país que navega pelo telemóvel

​O dado que melhor define a realidade digital cabo-verdiana em 2025 é este: 98% dos utilizadores de internet acedem à rede através do telemóvel.

​O smartphone tornou-se o computador de bolso da maioria dos cabo-verdianos. É por ele que se consulta o banco, se comunica com a família na diáspora, se acede às notícias e aos serviços públicos. Esta realidade tem uma dimensão positiva clara — a telefonia móvel democratizou o acesso de forma rápida e relativamente acessível. Mas coloca também uma questão pertinente: apenas 26% da população utilizou um computador nos últimos três meses, e somente 29,7% dos agregados familiares têm computador em casa.

​Num mundo em que o trabalho remoto, o empreendedorismo digital e a formação online exigem cada vez mais o uso de um ecrã maior e de ferramentas mais avançadas, o computador continua a ser, em Cabo Verde, um bem pouco difundido.

Os jovens lideram, as zonas rurais aproximam-se

​A faixa etária dos 25 aos 34 anos regista a taxa de utilização mais elevada, com 91,3%. Uma geração plenamente integrada no ambiente digital, que representa um potencial enorme para o desenvolvimento do país.

​Igualmente relevante é a quase paridade entre urbano e rural no acesso à internet em casa — 68,5% no meio urbano e 69,3% no meio rural — o que indica que a infraestrutura de conectividade está a chegar de forma relativamente equilibrada ao território.

O passo seguinte: de utilizadores a produtores

​A história da internet em Cabo Verde tem sido, até agora, sobretudo uma história de acesso. O desafio da próxima fase é diferente: transformar utilizadores em produtores — de conteúdos, de serviços, de negócios digitais.

​Para isso, o computador importa. A banda larga de qualidade importa. A formação digital importa. Os números do INE mostram um país que chegou ao digital pelo caminho mais rápido e acessível. O próximo capítulo dependerá da capacidade de aprofundar essa conectividade e torná-la economicamente produtiva.

We recall that...

O INE divulgou esta semana o relatório TIC 2025, com base no Inquérito Multiobjectivo Contínuo, que mede anualmente os indicadores de acesso e utilização das tecnologias de informação e comunicação em Cabo Verde. A taxa de utilização de internet subiu de 74% em 2024 para 77,3% em 2025, expondo um cenário de forte inclusão móvel que desafia as políticas públicas neste ano de 2026.

Caboverde24.info

Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE), Relatório das Estatísticas TIC 2025

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