“Seis anos depois do brutal assassinato em Colleferro, a Justiça italiana fecha o ciclo: Gabriele Bianchi recebe prisão perpétua no terceiro julgamento de recurso, enquanto o tribunal abre a porta à justiça restaurativa.”
O desfecho de um longo percurso judicial
A Justiça italiana deu mais um passo definitivo no caso que abalou o país em 2020. A Segunda Corte de Assise de Recurso de Roma condenou Gabriele Bianchi à prisão perpétua pelo assassinato de Willy Monteiro Duarte, num julgamento de recurso — o terceiro — que foi necessário após a Cassazione ter devolvido o processo para reavaliar as atenuantes genéricas que lhe tinham sido concedidas no segundo recurso, onde havia sido condenado a 28 anos.
A prisão perpétua para o irmão Marco Bianchi já era definitiva desde novembro de 2025. Agora, ambos os irmãos enfrentam a pena máxima prevista pelo ordenamento jurídico italiano.
Italiano filho de cabo-verdianos
Willy Monteiro Duarte nasceu em Roma a 20 de janeiro de 1999 e cresceu entre Como e Paliano, no Lácio, filho de cabo-verdianos emigrados em Itália. Era cidadão italiano — um filho da segunda geração da diáspora cabo-verdiana. Embora nascido em Itália, era muito ligado à comunidade e à cultura cabo-verdiana, que os seus pais trouxeram consigo.
O seu assassinato não foi apenas uma tragédia italiana — tocou profundamente também Cabo Verde e toda a diáspora espalhada pela Europa.
Na madrugada de 6 de setembro de 2020, foi morto a pontapés e socos no centro de Colleferro, perto de Roma, enquanto tentava defender um amigo que estava a ser agredido. Segundo testemunhos recolhidos no julgamento, os quatro agressores saíram de um carro e atacaram quem encontraram à frente. Os golpes foram técnicos, violentos, calculados para causar danos gravíssimos. E mataram Willy.
Além dos dois irmãos Bianchi, foram igualmente condenados Francesco Belleggia e Mario Pincarelli. As penas de 23 anos para Belleggia e 21 anos para Pincarelli já tinham transitado em julgado em abril de 2024.
A Cassazione tinha aceitado o recurso do procurador-geral, que considerou que a concessão das atenuantes genéricas a Gabriele não estava devidamente fundamentada face à gravidade do crime cometido.
“Mudei” — e o tribunal abre caminho à reconciliação
Em audiência, Gabriele Bianchi tomou a palavra antes da sentença, pedindo desculpa pelos seus atos e afirmando ter mudado durante os anos de reclusão. O tribunal autorizou igualmente o recurso ao instituto da giustizia riparativa: se a família de Willy aceitar, poderá encontrar-se com o condenado num percurso de confronto e responsabilização. Em caso de recusa, Gabriele Bianchi poderá seguir um percurso psicológico individual.
A Cassazione tinha já sublinhado, nas motivações do reenvio, que Gabriele nunca tinha iniciado, nem solicitado, qualquer programa de justiça restaurativa — o que pesou negativamente na avaliação das atenuantes.
Uma justiça que Cabo Verde também esperava
Para a comunidade cabo-verdiana em Itália e para o próprio arquipélago, esta sentença encerra um ciclo doloroso. O nome de Willy tornou-se símbolo de uma geração da diáspora que merece proteção e dignidade. A conclusão deste processo representa, para muitos compatriotas emigrados, um momento de justiça há muito aguardado.
We recall that...
Willy Monteiro Duarte, cidadão italiano filho de cabo-verdianos, foi assassinado na madrugada de 6 de setembro de 2020 em Colleferro enquanto tentava defender um amigo de uma agressão. Tinha 21 anos. O Presidente da República italiana, Sergio Mattarella, atribuiu-lhe postumamente a Medalha de Ouro ao Valor Civil, um legado de coragem que encontra o seu desfecho judicial definitivo em Itália neste início de junho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte: Imprensa italiana























