“Uma interceção marítima nas águas do arquipélago em 2023 desencadeou uma investigação que hoje resultou em buscas, mandados e bloqueio de milhões no Brasil”
O ponto de partida: um veleiro, 2,7 toneladas, perto de Cabo Verde
Tudo começou há cerca de três anos, quando as autoridades intercetaram um veleiro em águas internacionais próximas a Cabo Verde, com aproximadamente 2,7 toneladas de cocaína a bordo. A apreensão foi o início de uma investigação longa e complexa que a Polícia Federal brasileira conduziu em silêncio durante quase três anos — e que esta semana chegou à sua fase mais visível.
A ligação geográfica ao arquipélago cabo-verdiano não é acidental. A posição de Cabo Verde no Atlântico médio torna-o um ponto de referência incontornável nas rotas marítimas que ligam a América do Sul à Europa, frequentemente utilizadas por organizações criminosas para o transporte de droga a bordo de veleiros e embarcações de recreio.
A operação Balcãs, três anos depois
A Polícia Federal brasileira deflagrou esta semana a operação Balcãs, visando o chamado Clã dos Balcãs, investigado por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. A ação decorreu em São Paulo, Santos e Guarujá, com 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela 17ª Vara Federal Criminal da Bahia. As autoridades determinaram ainda o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos e outros ativos, até ao limite de 20 milhões de reais.
Uma rede sofisticada de logística criminal
Ao longo da investigação, a Polícia Federal identificou uma estrutura criminosa dedicada ao envio de cocaína da América do Sul para a Europa por rotas marítimas transatlânticas, envolvendo operadores logísticos, financiadores e intermediários. O caso aponta para o uso de veleiros e outras embarcações para realizar as travessias oceânicas, com uma rede de apoio responsável pelo financiamento, logística e comunicação da organização.
As investigações revelaram ainda movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade declarada de parte dos investigados, sugerindo o recurso a empresas para ocultação de recursos através do branqueamento de capitais.
Por que as rotas passam perto de Cabo Verde?
A posição geográfica do arquipélago — a meio caminho entre a América do Sul e a Europa — torna-o inevitavelmente parte do corredor marítimo mais utilizado pelos grandes cartéis de droga. Os veleiros que partem do Brasil ou da Venezuela em direção à Península Ibérica passam frequentemente pelas imediações das ilhas cabo-verdianas, o que exige uma vigilância marítima permanente por parte das autoridades nacionais e dos parceiros internacionais.
Cabo Verde tem cooperado com a União Europeia, os Estados Unidos e organismos internacionais no combate ao tráfico marítimo, mas os casos continuam a suceder-se, evidenciando a dimensão do desafio.
O desfecho de uma investigação silenciosa
Todo o material apreendido será submetido a perícia técnica especializada para aprofundar a identificação dos envolvidos e subsidiar a continuidade da persecução criminal. Investigações anteriores já tinham indicado uma mudança de rota do tráfico após reduções de apreensões nos portos brasileiros, com os traficantes a adotar novas estratégias e embarcações alternativas.
O caso ilustra como uma única apreensão marítima, quando devidamente investigada, pode desmontar anos de operações criminosas transnacionais — e reforça a importância estratégica de Cabo Verde na vigilância do Atlântico.
We recall that...
A investigação que deu origem à operação Balcãs teve início há cerca de três anos, com a interceção de um veleiro carregado com 2,7 toneladas de cocaína em águas internacionais próximas a Cabo Verde. Após quase três anos de trabalho da Polícia Federal brasileira, a operação culminou esta semana em buscas em São Paulo, Santos e Guarujá, visando o Clã dos Balcãs, suspeito de tráfico internacional de drogas e branqueamento de capitais, com forte impacto nas redes logísticas transatlânticas neste mês de junho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte: Polícia Federal do Brasil































