​O que sabemos sobre a brasileira que denunciou o capitão dos Tubarões Azuis

“Residente na Nova Zelândia, contratada pela própria federação local, fotografou as lesões ainda no hotel, foi à polícia, notificou a FIFA — e três meses depois ainda aguarda em silêncio”

Não é uma desconhecida qualquer

​Num artigo anterior, o caboverde24.info noticiou a investigação policial em curso na Nova Zelândia contra Ryan Mendes. Hoje centramo-nos na figura da denunciante — quem é, o que viveu naquela noite, e o que fez depois.

​No centro deste caso há uma mulher cujo nome permanece protegido — por lei e por escolha própria. Mas o que se sabe sobre ela é suficiente para perceber que não se trata de uma figura periférica ou passageira na história desta seleção.

​A brasileira vivia na Nova Zelândia, à época dos factos, com visto de residência e trabalho. Foi contratada pela Federação Neozelandesa de Futebol para atuar como intérprete da delegação de Cabo Verde e prestar apoio operacional durante toda a permanência da equipa no país. A sua presença não era casual — era profissional, formal e contratualizada pela própria entidade organizadora. Ficou hospedada no mesmo hotel da delegação e permanecia disponível em regime de plantão durante as 24 horas.

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A noite de 27 de março

​O episódio alegado aconteceu após a partida entre Cabo Verde e Chile, que os chilenos venceram por 4-2.

​Segundo o relato apresentado à polícia, ela foi convidada para uma reunião numa sala reservada à seleção no hotel, acreditando que precisaria exercer funções de intérprete. Ao perceber que se tratava de uma confraternização, regressou ao próprio quarto por estar a sentir-se mal. Pouco depois, ouviu batidas na porta e abriu, imaginando tratar-se de uma solicitação de trabalho. Foi nesse momento, conforme a denúncia, que Ryan Mendes entrou no quarto, a agrediu fisicamente com esganaduras, socos e mordidas enquanto ela tentava defender-se, e a violou.

O que fez a seguir

​A denunciante não ficou em silêncio. Agiu de forma imediata e sistemática.

​Ainda no hotel, fotografou as lesões visíveis — cortes na boca, hematomas no pescoço, na perna e na lateral do corpo. Em seguida, procurou uma clínica especializada no acolhimento de sobreviventes de violência sexual, foi submetida a exame forense e acompanhamento psicológico. O relatório médico, ao qual o portal brasileiro GE teve acesso, descreve múltiplos hematomas nas mamas, pescoço e lábios, além de áreas doloridas no couro cabeludo e nas nádegas.

​Depois, registou ocorrência policial e passou por nova perícia na esquadra. O material fotográfico e os documentos médicos foram entregues às autoridades.

Pediu ajuda — e não teve resposta

​A denunciante afirma ter procurado apoio junto da Federação Cabo-Verdiana de Futebol, sem obter retorno. O portal GE, que investigou e publicou o caso, enviou cinco emails para endereços institucionais da federação disponíveis no sistema da FIFA e no próprio site, sem qualquer resposta. O empresário de Ryan Mendes também não havia respondido até à publicação da reportagem original.

​A FIFA, por seu lado, limitou-se a informar que não comentaria o caso.

Três meses de espera

​Hoje, passados três meses sobre a noite de 27 de março, a investigação policial continua em curso na Nova Zelândia. Os investigadores aguardam a conclusão dos laudos periciais para decidir se existem provas suficientes para apresentar acusação formal à Justiça.

​Enquanto isso, Ryan Mendes disputou os três jogos da fase de grupos do Mundial. Na próxima sexta-feira, enfrenta a Argentina em Miami. A mulher que o acusa continua em Auckland — sem resposta da FIFA, sem resposta da Federação, aguardando que a investigação siga o seu curso.

We recall that...

A denúncia crime foi oficialmente registada pelas autoridades a 10 de abril de 2026 pela Polícia da Nova Zelândia, entidade que confirmou por via oficial a existência da investigação criminal em curso. A identidade da cidadã denunciante encontra-se a ser rigorosamente protegida por imperativo da lei penal local e por opção de segurança da sua própria família neste mês de junho de 2026.

Caboverde24.info

Fonte: GE/Globo Esporte; Polícia da Nova Zelândia

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