“Rodado na ilha do Fogo, o primeiro longa-metragem de Denise Fernandes chega ao circuito comercial francês depois de mais de 30 festivais internacionais”
Um filme, uma ilha, uma diáspora
“Hanami”, primeira longa-metragem da realizadora luso-cabo-verdiana Denise Fernandes, estreia esta quarta-feira, 8 de julho, nas salas de cinema francesas, distribuído pela Sudu Connexion. Rodado integralmente na ilha do Fogo, o filme chega à França após uma longa digressão por mais de 30 festivais internacionais, onde acumulou prémios importantes, incluindo o de melhor realizadora emergente no Festival de Locarno 2024.
A crítica francesa tem-se debruçado sobre o filme nos últimos dias. A revista Politis publicou esta terça-feira um artigo detalhado assinado por Christophe Kantcheff, destacando como Denise Fernandes, filha de pais cabo-verdianos e criada em Portugal, colocou o país da sua família “na luz” através de um retrato íntimo da infância e adolescência da protagonista Nana.
A história de Nana
“Hanami” acompanha o percurso de Nana, uma menina que cresce numa ilha vulcânica isolada, de onde a maioria da população deseja partir. A mãe, Nia, doente e traumatizada, emigra pouco depois do nascimento da filha. Quando Nana adoece com febres altas, é enviada para a zona do vulcão, onde se acredita que poderá ser curada — um episódio que a leva a um território suspenso entre o sonho e a realidade. Anos mais tarde, já adolescente, Nana volta a encontrar a mãe, e o filme confronta as consequências desse longo exílio.
O elenco é composto maioritariamente por atores não profissionais da própria ilha do Fogo, incluindo Sanaya Andrade, Daílma Mendes, Alice Da Luz Gomes e João “Galinha” Mendes, ao lado do ator japonês Yuta Nakano.
O nome que vem do Japão
O título do filme é emprestado de uma palavra japonesa que significa “contemplar as flores”, numa clara referência ao florescimento das cerejeiras. Denise Fernandes explicou em entrevistas anteriores que a expressão funciona como um contraponto à seca que marca a experiência cabo-verdiana: se tivesse chovido mais, muitos não teriam partido. O “hanami” torna-se, assim, um símbolo do sonho de permanência.
Quem é Denise Fernandes?
Nascida em Lisboa em 1990, filha de pais cabo-verdianos e criada na Suíça, Denise Fernandes formou-se em realização e produção cinematográfica no Conservatório Internacional de Ciências Audiovisuais suíço. Antes de “Hanami”, assinou curtas-metragens de sucesso como “Nha Mila” (2020), exibida no MoMA e no Lincoln Center de Nova Iorque, e finalista dos European Film Awards.
Com “Hanami”, tornou-se uma das raras vozes do cinema cabo-verdiano a alcançar projeção internacional, ao lado de referências históricas como “A Casa de Lava”, de Pedro Costa.
Nota editorial:
O crítico do site Critique-Film observou com atenção que a estreia de “Hanami” acontece num momento em que Cabo Verde já goza de maior visibilidade internacional, impulsionada pela participação histórica da seleção no Mundial 2026. A coincidência reforça a ideia de que o país, com pouco mais de 500 mil habitantes, atravessa um período de exposição global sem precedentes — no desporto e agora também no cinema.
We recall that...
“Hanami” estreou-se mundialmente no Festival de Locarno em agosto de 2024, onde venceu o prémio de melhor realizadora emergente. Em abril de 2025, o filme regressou às origens com sessões especiais na Praia e na ilha do Fogo, antes de chegar às salas portuguesas em maio do mesmo ano. Agora, o filme chega ao circuito comercial em França neste dia 7 de julho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte e foto: Politis































