“Banco Africano de Desenvolvimento alerta para a lentidão da transformação económica do país, apesar do bom desempenho do turismo”
O alerta do Banco Africano de Desenvolvimento
O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) voltou a colocar Cabo Verde sob a lupa.
No relatório “Perspetivas Económicas Regionais 2026: África Austral”, divulgado na terça-feira, a instituição estima que o país precisa de 1,4 mil milhões de dólares (o equivalente a 1,23 mil milhões de euros) por ano para responder às suas necessidades globais de desenvolvimento.
Crescimento desacelera mas mantém-se sólido
Segundo o BAD, a economia cabo-verdiana deverá crescer 5,2% em 2025, depois dos 7,3% registados em 2024 — uma desaceleração atribuída a interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Para os próximos dois anos, o banco prevê uma evolução mais moderada, mas ainda positiva:
- Previsão do PIB em 2026: 4,7%
- Previsão do PIB em 2027: 5,0%
Apesar do abrandamento, a economia continuou sustentada pelo aumento das chegadas de turistas, que atingiram 1.459.990 no terceiro trimestre de 2025, contra 1.357.168 no mesmo período de 2024.
Défice orçamental continua a pesar
O relatório indica que o défice orçamental de 2025 se situou em 2,5% do PIB, o quinto ano consecutivo de défice, devido a limitações estruturais na mobilização de recursos suficientes para as despesas públicas.
Onde é preciso investir
Segundo o BAD, o valor anual necessário abrange várias frentes estratégicas:
- Habitação, desenvolvimento urbano e territorial;
- Proteção social e desenvolvimento humano;
- Criação de um sistema de saúde integrado e reforço da segurança nacional;
- Transformação do país numa plataforma turística e digital;
- Saneamento da água.
Turismo continua a ser a “espinha dorsal”
O setor do turismo, responsável por cerca de 60% do PIB do país, é considerado pelo BAD a “espinha dorsal” do crescimento de Cabo Verde.
Mas essa dependência é também um risco: o banco alertou que o conflito no Médio Oriente e a guerra na Ucrânia podem fazer subir os preços das matérias-primas e provocar perturbações no comércio internacional, afetando a procura em Cabo Verde.
Transformação económica lenta, avisa o BAD
A instituição sublinha que o país continua vulnerável a choques externos, a défices estruturais da balança corrente e a progressos lentos na transformação da sua estrutura económica para além do setor dos serviços.
A economia permanece fortemente dependente do exterior, particularmente do turismo, das remessas e dos bens importados.
Contexto regional
No relatório mais amplo sobre a África Austral, o BAD prevê que a região enfrente um défice anual de financiamento de cerca de 55 mil milhões de dólares até 2030, com o crescimento económico regional a acelerar de 2,1% em 2026 para 2,7% em 2027.
Nota editorial
Os valores citados no relatório do BAD foram convertidos e apresentados também em euros para facilitar a leitura pelos residentes em Cabo Verde e na diáspora europeia. As previsões de crescimento são estimativas do banco e podem ser revistas em relatórios futuros.
We recall that...
o Banco Africano de Desenvolvimento tem alertado, em relatórios sucessivos, para a necessidade de Cabo Verde diversificar a sua economia além do turismo, apontando a economia azul e a transformação digital como caminhos possíveis para reduzir a vulnerabilidade do país a choques externos.
Caboverde24.info
Fonte: Banco Africano de Desenvolvimento / Lusa



















