“Antes da inauguração, o INPS dizia que estavam criadas as condições para o funcionamento. No próprio dia, a previsão passou para dois a três meses. Mais de um ano depois, a unidade continua sem receber pacientes e voltam a ser discutidas responsabilidades de gestão.”
Em 30 segundos
🏥 A unidade de alojamento do Prior Velho foi inaugurada em 8 de setembro de 2025.
📅 Os primeiros doentes deveriam começar a ser recebidos dentro de dois a três meses.
🔑 O protocolo inicial atribuiu à Embaixada de Cabo Verde a gestão integral do espaço.
⏳ Em setembro de 2026, a unidade continua sem funcionar e fala-se agora numa gestão partilhada com o INPS.
👥 O INPS acompanha atualmente 586 doentes em Portugal, embora nem todos necessitem deste alojamento.
Não é uma obra por terminar
O edifício foi remodelado, equipado, inaugurado e as chaves foram formalmente entregues.
Mesmo assim, mais de um ano depois, a unidade do Prior Velho destinada a alojar doentes cabo-verdianos evacuados para Portugal continua sem receber pacientes.
A nova previsão é que entre em funcionamento até ao final de 2026.
A questão, por isso, já não é saber quando terminam as obras. É perceber o que aconteceu depois de uma inauguração que, em setembro de 2025, foi apresentada como o início de uma nova resposta aos doentes evacuados.
De “todas as condições criadas” a mais um ano de espera
A cronologia ajuda a perceber o problema.
Em 5 de setembro de 2025, três dias antes da inauguração, o INPS informou que estavam criadas “todas as condições” para que a unidade entrasse em pleno funcionamento logo após a cerimónia.
Em 8 de setembro, o espaço foi oficialmente inaugurado e entregue à Embaixada de Cabo Verde em Portugal.
Nesse mesmo dia surgiu um calendário mais cauteloso: os primeiros doentes deveriam começar a entrar dentro de dois a três meses.
Isso colocava a abertura efetiva entre novembro e dezembro de 2025.
Não aconteceu.
A gestão também parecia definida
O protocolo divulgado pelo INPS em 2025 não deixava apenas o edifício à disposição da Embaixada.
A instituição informou que a representação diplomática passaria a assegurar a gestão integral do espaço, incluindo o cumprimento das exigências legais e administrativas.
O Ministério responsável pela área social acrescentou que essa gestão abrangia contratação de pessoal, prestação de serviços e manutenção.
O INPS, por seu lado, ficaria responsável pela reabilitação e equipamento do imóvel e manteria em Portugal a sua estrutura de apoio administrativo aos doentes.
Parecia, portanto, existir uma separação de responsabilidades razoavelmente clara.
Em 2026, a gestão volta a estar por definir
É este o ponto que agora merece explicação.
Na visita de 29 de setembro de 2026, foi anunciado que ainda estão a ser tratadas questões relacionadas com uma gestão partilhada entre o INPS e a Embaixada, incluindo responsabilidades sobre o funcionamento da unidade.
Não é possível concluir, apenas com a informação disponível, que houve incumprimento do protocolo inicial. O modelo pode ter sido alterado, podem ter surgido exigências operacionais adicionais ou outras dificuldades entretanto.
Mas existe uma pergunta documentalmente sustentada: se em 2025 a gestão integral tinha sido formalmente atribuída à Embaixada, o que mudou para que, um ano depois, responsabilidades de gestão continuem a ser discutidas?
Até agora, essa explicação não foi tornada pública em detalhe.
42 ou 46 lugares?
Também a capacidade aparece de forma diferente nas informações oficiais.
O INPS e o Ministério referiram em 2025 23 quartos duplos e capacidade máxima para 46 pessoas.
A Inforpress, no dia da inauguração, falou numa unidade destinada a 42 doentes, número novamente referido em setembro de 2026.
Não há elementos que permitam afirmar que houve uma redução de capacidade. Pode tratar-se simplesmente da diferença entre capacidade física máxima e capacidade operacional.
O dado relevante é outro: mesmo quando funcionar, o Prior Velho acolherá algumas dezenas de pessoas.
Atualmente são 586 doentes em Portugal
Segundo a representante do INPS em Lisboa, a instituição tem atualmente 586 doentes sob sua responsabilidade em Portugal.
Isso não significa que todos necessitem simultaneamente de alojamento no Prior Velho. Os pacientes encontram-se em diferentes tratamentos, modalidades de apoio e condições de estadia.
Mas o número mostra a dimensão da rede que precisa de ser acompanhada.
Os subsídios atribuídos aos doentes foram atualizados este ano para valores entre 720 e 1.600 euros, conforme a modalidade, numa altura em que o custo de viver temporariamente em Portugal continua a ser uma das principais dificuldades de quem precisa de permanecer no país para tratamento.
O atendimento continua a funcionar
Há uma distinção importante para evitar equívocos.
O facto de a unidade de alojamento do Prior Velho não estar operacional não significa que os doentes estejam sem apoio do INPS em Portugal.
Desde 2023, o atendimento público funciona no Campo Pequeno, em Lisboa, onde a representação do INPS orienta os evacuados, presta informações, articula com os serviços centrais e assegura apoio administrativo.
O Prior Velho tem outra função: alojamento.
É precisamente por isso que a demora importa.
A questão já não é o edifício
O imóvel existe. Foi remodelado. Foi equipado. Foi inaugurado. Houve protocolo. Houve entrega das chaves. Houve uma previsão de dois a três meses.
Agora há uma nova meta: abrir até ao final de 2026.
Depois de mais de um ano, porém, o indicador verdadeiramente relevante já não será uma nova data anunciada.
Será ver os primeiros doentes a entrar nos quartos que foram preparados para os receber.
E, antes disso, falta esclarecer uma questão simples: o que impediu uma unidade apresentada como pronta em setembro de 2025 de começar a funcionar durante todo este tempo?
Cape Verde 24.info
Fonte: Instituto Nacional de Previdência Social; Ministério responsável pela proteção social; Inforpress.







































