“Filha de cabo-verdianos, viveu cinco anos na ilha do Fogo e ficou conhecida em Portugal como “Nani do Pimba”, depois de acompanhar Emanuel nos palcos. Um atropelamento em Nova Iorque, em 2024, mudou-lhe a vida e deu origem ao livro “She Kept Going”.”
Em 30 segundos
🇨🇻 Arlinda Norris nasceu em Lisboa, filha de pais cabo-verdianos, e viveu durante cinco anos na ilha do Fogo.
🎤 Em Portugal ficou conhecida como “Nani do Pimba”, depois de trabalhar como bailarina do cantor Emanuel.
🚑 Em março de 2024 foi atropelada em Manhattan, Nova Iorque. Seguiram-se várias cirurgias e cerca de dois anos de tratamentos e fisioterapia.
📖 Aos 50 anos, revisita os vários recomeços da sua vida no livro “She Kept Going”.
Uma viagem de 15 dias que durou cinco anos
Arlinda Norris nasceu em Lisboa, numa família cabo-verdiana, mas uma parte importante da infância e do início da adolescência foi passada em Cabo Verde.
A mudança para a ilha do Fogo deveria ser temporária. Como recordou no programa O Tal Podcast, a família foi inicialmente por poucos dias, mas acabou por permanecer durante cinco anos.
Arlinda considera hoje essa experiência uma das etapas que contribuíram para a sua capacidade de adaptação às mudanças e dificuldades que encontraria mais tarde.
A “Nani do Pimba”
De regresso a Portugal, aproximou-se do mundo da música e da dança.
Trabalhou com diferentes artistas, mas foi sobretudo ao lado do cantor português Emanuel que ganhou maior projeção junto do público.
Percorreu palcos e programas de televisão e ficou conhecida por muitos como “Nani do Pimba”.
Mais tarde deixou a vida de bailarina, constituiu família e iniciou novas etapas pessoais e profissionais, incluindo a mudança para os Estados Unidos.
O acidente que mudou tudo
Em março de 2024, Arlinda atravessava uma rua em Manhattan, Nova Iorque, quando foi atropelada.
O impacto provocou lesões na coluna, pescoço, cabeça, anca e joelho, incluindo fraturas nas costas, concussões e hérnias discais cervicais. Foi submetida a várias cirurgias e iniciou um longo processo de recuperação.
Durante cerca de dois anos passou por tratamentos e fisioterapia. O processo obrigou-a a reconstruir a confiança no próprio corpo e a reaprender gestos que antes faziam parte da vida quotidiana.
Entre as consequências mais difíceis esteve a alteração da voz.
Arlinda começou a sentir rouquidão e perda de força, controlo e alcance vocal, chegando em alguns momentos a ficar sem voz. Ainda não regressou ao canto profissional e reconhece que a voz já não é a mesma.
Quando é preciso começar outra vez
A recuperação levou Arlinda a olhar para outros momentos difíceis do seu percurso.
Na autobiografia “She Kept Going”, a artista revisita não apenas o atropelamento, mas também a infância, a música, a moda, a emigração, a maternidade, perdas pessoais, dificuldades financeiras e a reconstrução da própria identidade.
O livro começou a ser escrito durante a recuperação, inicialmente como uma forma de organizar pensamentos e lidar com a dor.
Ao rever a própria vida, Arlinda encontrou um elemento comum entre etapas muito diferentes: a capacidade de continuar depois de cada mudança.
O processo judicial terminou em acordo
O processo judicial relacionado com o atropelamento já terminou através de um acordo.
Os termos permanecem confidenciais, mas Arlinda explicou à Lusa que o encerramento do processo lhe permitiu deixar de viver permanentemente ligada ao acidente e concentrar mais energia no futuro.
Dois anos e meio depois, diz não querer ser definida apenas pelo atropelamento, mas pelo percurso de reconstrução que se seguiu.
Uma nova etapa aos 50 anos
Aos 50 anos, Arlinda Norris procura agora transformar a experiência acumulada ao longo da vida numa nova etapa profissional.
Além da autobiografia, pretende levar a sua história a outras mulheres através de palestras e workshops centrados em temas como resiliência, identidade e recomeços.
Da infância no Fogo aos palcos portugueses e, mais tarde, aos Estados Unidos, o percurso de Arlinda Norris foi feito de sucessivas mudanças.
O atropelamento de 2024 foi uma das mais profundas. Mas foi também desse período que nasceu o projeto através do qual procura agora transformar uma experiência pessoal difícil numa mensagem sobre reconstrução e novos começos.
Cape Verde 24.info
Fonte: Agência Lusa; O Tal Podcast; Arlinda Norris







































