“Patrice Motsepe confirmou esta sexta-feira, em Santa Maria, que a organização está a reconsiderar a mudança para um ciclo de quatro anos. A declaração representa uma possível revisão da reforma anunciada em dezembro de 2025.”
Em 30 segundos
⚽ A CAF admite manter a Taça das Nações Africanas de dois em dois anos.
📍 A novidade foi anunciada esta sexta-feira, 9 de outubro, na ilha do Sal.
📅 A reforma anunciada em dezembro previa edições em 2027 e 2028 e, depois, um ciclo de quatro anos a partir de 2032.
🔎 Ainda não existe uma decisão definitiva sobre a alteração do calendário.
Uma possível mudança anunciada em Cabo Verde
A Confederação Africana de Futebol (CAF) está a reconsiderar a decisão de realizar a Taça das Nações Africanas de quatro em quatro anos, admitindo manter o modelo tradicional de uma edição a cada dois anos.
A informação foi avançada esta sexta-feira, 9 de outubro, pelo presidente da organização, Patrice Motsepe, durante a conferência de imprensa que encerrou a Conferência Estratégica da CAF, realizada em Santa Maria, na ilha do Sal.
Segundo a agência Reuters, Motsepe confirmou que os dirigentes africanos discutiram o assunto nos últimos dias e estão a analisar diferentes possibilidades, incluindo o regresso à periodicidade bienal.
A Associated Press confirmou igualmente as declarações.
A posição representa uma possível revisão de uma das principais reformas do futebol africano, anunciada há menos de dez meses.
O que estava previsto para a competição?
Em dezembro de 2025, a CAF anunciou que a Taça das Nações Africanas deixaria de ser disputada de dois em dois anos, passando para um ciclo de quatro anos.
O calendário previa a realização das edições de 2027 e 2028, com a competição seguinte em 2032 e, a partir daí, um intervalo de quatro anos entre torneios.
A reforma incluía também a criação de uma Liga das Nações Africanas, com competições anuais a partir de 2029, apresentada como uma oportunidade para aumentar as receitas e garantir maior regularidade competitiva às seleções.
Segundo a Associated Press, a alteração procurava igualmente aproximar a organização da competição do calendário internacional da FIFA.
Em 2021, Motsepe defendia precisamente o contrário
A possibilidade de reconsiderar a reforma representa também um regresso a uma posição anteriormente defendida pelo próprio presidente da CAF.
Em março de 2021, poucos dias depois de assumir a liderança da organização, Patrice Motsepe rejeitou a possibilidade de passar a Taça das Nações Africanas para um ciclo de quatro anos.
Na altura, argumentou que a CAF não podia dispensar as receitas proporcionadas pela competição.
Segundo dados divulgados pela Reuters naquele ano, a Taça das Nações Africanas tinha representado anteriormente cerca de 80% das receitas da confederação.
O peso financeiro do torneio constituía, por isso, um argumento central para manter a periodicidade bienal.
A posição mudou em dezembro de 2025, quando Motsepe apresentou a reforma para quatro anos, apostando numa nova estrutura de competições e receitas.
Em janeiro de 2026, durante uma conferência de imprensa em Rabat, admitiu que a CAF poderia ter explicado melhor a alteração, mas reafirmou que a decisão seria mantida.
Agora, em Cabo Verde, voltou a abrir a discussão.
Motsepe rejeita pressões da FIFA e da UEFA
A decisão anunciada em dezembro provocou críticas de diferentes setores do futebol africano, incluindo receios de perda de receitas e de redução das oportunidades de participação das seleções na principal competição continental.
Algumas críticas relacionaram a mudança com os interesses do futebol europeu e com posições anteriormente defendidas pela FIFA.
Na conferência de imprensa realizada no Sal, Motsepe voltou a rejeitar essas interpretações.
Segundo a Associated Press, o presidente da CAF rejeitou as alegações de que a organização recebe ordens da FIFA ou da UEFA, reafirmando que a sua principal responsabilidade é defender e promover os interesses do futebol africano.
As declarações retomam uma posição que já tinha expressado em janeiro, mas surgem agora num contexto diferente, com a própria CAF a admitir reconsiderar a reforma.
O que significa esta discussão para Cabo Verde?
A escolha de Cabo Verde para acolher a Conferência Estratégica da CAF não foi desligada do percurso recente da seleção nacional.
Num comunicado oficial de 20 de setembro, a própria confederação destacou a campanha cabo-verdiana no Mundial de 2026, que atraiu atenção internacional, como um dos motivos para realizar o encontro no arquipélago.
O país recebeu, entre 7 e 9 de outubro, dirigentes das 54 federações africanas, treinadores de seleções e especialistas internacionais para discutir o futuro do futebol continental.
Para Cabo Verde, a periodicidade da Taça das Nações Africanas tem consequências práticas.
A manutenção do formato bienal conservaria oportunidades mais frequentes de disputar a fase final da competição, enquanto um ciclo de quatro anos aumentaria o intervalo entre edições.
A questão interessa particularmente a uma seleção que procura consolidar a sua presença nas principais competições internacionais, depois da experiência no Mundial de 2026.
A edição de 2027 mantém-se
Apesar das discussões sobre o futuro calendário, Motsepe reafirmou no Sal que a edição de 2027 deverá realizar-se conforme previsto, no Quénia, Tanzânia e Uganda.
Segundo a Associated Press, o dirigente manteve essa posição apesar de notícias divulgadas por órgãos de comunicação franceses sobre possíveis atrasos nas obras de preparação e propostas para transferir a competição para outros países.
Esses relatos não representam, por si só, uma confirmação oficial de que a organização do torneio esteja comprometida.
Quanto à periodicidade das edições seguintes, ainda não foi anunciada uma decisão definitiva nem uma data para a sua aprovação.
A conferência realizada em Cabo Verde fica, assim, associada a uma discussão que poderá alterar novamente o calendário da principal competição de seleções africanas.
Cape Verde 24.info
Fonte: Reuters, 16 de março de 2021, 17 de janeiro e 9 de outubro de 2026; Associated Press, 9 de outubro de 2026; Confederação Africana de Futebol







































