“Um inquérito revelado pelo documentário “Fuga silenciosa: O país que vê partir os seus jovens”, publicado recentemente no canal Record d’nôs, oferece um retrato inquietante da realidade cabo-verdiana. Os números não mentem: entre 2016 e 2021, cerca de 18 mil jovens cabo-verdianos deixaram o país à procura de melhores oportunidades, sendo a maioria composta por rapazes e raparigas entre os 15 e os 29 anos”
Segundo o inquérito, 64% dos cabo-verdianos afirmam que emigrariam se tivessem oportunidade — um desejo ainda mais forte entre a juventude qualificada, que enfrenta diariamente os desafios do desemprego e da precariedade.
O inquérito apresentado no vídeo
A escolha do destino e motivos para partir
O inquérito mostra que Portugal é eleito por 61,9% dos emigrantes recentes, seguido pelos Estados Unidos (17,8%) e França (6,6%). As razões para a partida são variadas: quase 40% procuram estudar, outros procuram reencontrar familiares, encontrar emprego ou tratar de saúde. A maioria parte das regiões da Praia, Santa Catarina de Santiago e São Vicente, deixando comunidades e famílias com lugares vazios à mesa e sonhos adiados.
O peso social, político, económico — e a carência de profissionais
A saída dos jovens cabo-verdianos contribui para o envelhecimento da população e agrava problemas sociais. Mas vai além: provoca também uma grave carência de profissionais e mão de obra qualificada no país, afetando setores essenciais da economia, como saúde, educação, turismo, construção civil e serviços. Com menos jovens qualificados, torna-se cada vez mais difícil responder às necessidades locais e impulsionar o desenvolvimento nacional. Segundo especialistas ouvidos no documentário, esta fuga silenciosa revela uma juventude qualificada mas descrente nas oportunidades nacionais, num país onde o salário mínimo e o ritmo do desenvolvimento não acompanham as necessidades do povo. Por outro lado, as remessas dos emigrantes sustentam milhares de famílias, batendo recordes todos os anos, enquanto os desafios da legalização, burocracia e integração marcam o dia a dia daqueles que partem.
Desafios, denúncias e recomendações
O inquérito e os testemunhos mostram como o processo de obtenção de vistos e documentos é penoso, com longas filas, venda ilegal de senhas, cobranças abusivas e situações de burla. O próprio governo reconhece dificuldades e avança medidas para combater crimes e melhorar os serviços consulares, mas muitos jovens continuam a esperar madrugadas inteiras, enfrentando frio e frustração.
A importância do debate e das alternativas locais
Publicado em Cabo Verde, este artigo reforça o alerta para a necessidade urgente de políticas inclusivas — transparência nos processos migratórios, criação de emprego, investimento em educação e oportunidades para que os jovens tenham razões para ficar. Como mostra o inquérito do vídeo, a juventude cabo-verdiana quer acreditar que é possível construir um futuro digno nas ilhas, sem recorrer à fuga como única alternativa.
Conclusão
A fuga silenciosa dos jovens cabo-verdianos não é apenas um dado numérico: traduz as esperanças, as dores, os desafios e o futuro de uma nação que precisa urgentemente olhar para os seus filhos e criar condições reais para que fiquem, cresçam e contribuam para o desenvolvimento local. A falta de jovens qualificados ameaça o presente e o futuro de Cabo Verde, tornando ainda mais urgente a criação de alternativas e políticas que fixem o talento nacional.
Cabo Verde24
Fonte: Canal YouTube RECORD D´NÔS
Imagem da capa do artigo aprimorada com IA







































