“A Assembleia Geral da TACV, realizada a 21 de outubro, marcou uma profunda renovação na estrutura diretiva da companhia aérea nacional. Armindo Sousa foi nomeado novo presidente do Conselho de Administração (PCA), sucedendo Pedro Barros, que ocupava o cargo desde julho de 2024. Sousa possui experiência prévia na TACV, tendo sido administrador financeiro durante o período em que a empresa esteve sob gestão islandesa da Loftleidr Icelandic e do grupo Icelandair”
Na nova composição do Conselho, Mário Tavares, antigo diretor de Qualidade, assume o cargo de administrador executivo, e Nádia Teixeira permanece como administradora. Saem assim Pedro Barros e Hélder Cruz dos seus cargos, após mandato iniciado em julho de 2024.
O contexto desta mudança ganha relevância devido à trajetória recente da TACV. Em 2017, a companhia aérea nacional foi privatizada e entregue ao grupo islandês Icelandair/Loftleidr com a promessa de modernização da frota, expansão internacional e aumento de eficiência operacional. O contrato previa trazer cinco aeronaves Boeing, mas apenas três chegaram à Cabo Verde; por divergências e instabilidade na parceria, os islandeses acabaram levando dois aviões de volta e quase retiraram o terceiro, impedido pelo governo. O contrato de gestão terminou prematuramente devido a divergências entre o Executivo cabo-verdiano e os gestores estrangeiros.
Segundo o jornal Santiago Magazine, uma das decisões centrais da Assembleia foi o aumento do salário mensal dos membros do Conselho de Administração, que passou de 300 para 450 contos (de 2.720 euros a 4.081 euros).
Esta medida, confirmada pelo maior acionista privado, Vitor Fidalgo, tem como objetivo valorizar a equipa diretiva num momento estratégico de renovação e novos desafios para a empresa.
Nas últimas semanas, a TACV tem vivido a expectativa da chegada de novos ATRs e a recuperação do certificado europeu (EASA) para operar voos à Europa, além de negociações para a retomada das ligações regulares aos Estados Unidos. O processo de reprivatização também voltou à agenda, embora ainda sem calendário definido para concretização.
Segundo o governo, que protagonizou as mudanças, a necessidade foi reforçar a governança e a eficácia operacional e estratégica da empresa, realçando que “a decisão já havia sido tomada há algum tempo” para garantir maior eficácia e estabilidade como operador nacional estratégico.
Essas decisões sinalizam não apenas esforços para robustecer a liderança e valorizar os gestores, mas também para preparar a TACV para novos desafios e etapas estratégicas do setor aéreo cabo-verdiano.
Foi ainda confirmado que a TACV está em processo de preparação para uma futura privatização, embora sem uma data definida para concretização.
Essas decisões visam fortalecer a liderança da companhia, apoiar a sua estabilidade operacional e preparar o terreno para as próximas etapas estratégicas do setor aéreo nacional.
Cabo Verde24
Fontes:
Santiago Magazine
A Nação
Rádio de Cabo Verde (RCV)

































