“O novo ranking Henley coloca Cabo Verde no 74.º lugar mundial. Somos líderes na nossa região, mas o fosso para as “super-ilhas” africanas e o bloqueio europeu persistem”
Recordamos que o Henley Passport Index, atualizado a 13 de janeiro de 2026, é a referência mundial para classificar a potência dos passaportes, baseando-se em dados exclusivos da IATA. O ranking avalia 199 passaportes e 227 destinos de viagem. Historicamente, os países africanos enfrentam restrições desproporcionais de mobilidade. Enquanto a média global de acesso sem visto aumentou, o continente africano continua a lidar com taxas elevadas de rejeição de vistos, especialmente para o Espaço Schengen, criando um cenário de desigualdade na liberdade de circulação.
O mapa da mobilidade em 2026
O mundo da mobilidade global está a mudar, e os novos dados do Henley Global Mobility Report de janeiro de 2026 trazem números concretos para a realidade cabo-verdiana. O passaporte de Cabo Verde garante agora acesso a 68 destinos sem necessidade de visto prévio (ou com visto à chegada), colocando o país na 74.ª posição do ranking mundial.
Numa lista liderada por Singapura — cujos cidadãos têm o mundo a seus pés com acesso a 192 destinos — a posição de Cabo Verde reflete uma estabilidade intermédia. Não estamos no fundo da tabela, onde o isolamento é quase total, mas ainda estamos longe da liberdade de circulação que impulsiona as grandes economias globais.
Países SEM VISTO (Isenção Total)
Nestes países, basta apresentar o passaporte válido (geralmente com mais de 6 meses de validade) para entrar
Top 20 em África: Liderança e comparações
A análise regional oferece uma perspetiva mais encorajadora, mas também desafiante. Cabo Verde consolida-se no Top 20 dos passaportes mais poderosos de África. Na África Ocidental, o nosso documento é um dos mais valiosos, superando vários vizinhos continentais e refletindo a nossa estabilidade política e diplomática.
No entanto, quando olhamos para outros estados insulares africanos, percebemos que é possível ir mais longe. O ranking africano é dominado pelas Seychelles (1.º lugar em África, acesso a ~156 destinos) e pelas Maurícias (2.º lugar, acesso a ~150 destinos).
A diferença entre os 68 destinos de Cabo Verde e os 150 das Seychelles não é geográfica, é diplomática. Estes arquipélagos conseguiram isenções de vistos estratégicas, incluindo para o Espaço Schengen, provando que a pequena dimensão insular pode ser uma vantagem se bem negociada.
O bloqueio Schengen e a reciprocidade
O relatório de 2026 toca num ponto sensível para qualquer cabo-verdiano: as barreiras para entrar na Europa. Enquanto Cabo Verde mantém uma política de “portas abertas”, isentando turistas europeus e americanos de vistos para fomentar a economia nacional, a recíproca continua ausente.
Os dados indicam que as taxas de rejeição de vistos Schengen para cidadãos africanos continuam altas, e as novas regras da UE para 2026 (com taxas e controlos biométricos reforçados) não facilitam o processo. Existe um paradoxo claro: somos um país acolhedor, mas os nossos cidadãos — empresários, estudantes, famílias — continuam a enfrentar corridas de obstáculos burocráticos para viajar para os países que mais visitam.
O valor da mobilidade
Possuir um passaporte que abre 68 portas é um ativo valioso, permitindo acesso facilitado a economias emergentes na Ásia, América Latina e a todo o bloco da CEDEAO. Contudo, num mundo globalizado, a mobilidade é sinónimo de oportunidade económica.
O desafio para a diplomacia de Cabo Verde nos próximos anos é claro: transformar a nossa reputação de democracia modelo em acordos de isenção de vistos concretos. Aproximar-se dos números das Maurícias ou Seychelles não é apenas uma questão de prestígio no ranking da Henley, é uma necessidade para a internacionalização das nossas empresas e para a liberdade dos nossos cidadãos.
Caboverde24.info
Fonte: Henley Passport Index







































