“Numa noite dramática em Rabat, os Leões da Teranga superam um penálti polémico e uma quase interrupção definitiva do jogo para se sagrarem bicampeões africanos”
A final da 35.ª edição da Taça das Nações Africanas (CAN), realizada neste domingo, 18 de janeiro de 2026, ficará marcada na história não apenas pelo futebol jogado, mas pela intensidade emocional e pelos eventos insólitos que quase levaram ao cancelamento da partida. No Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat, o Senegal venceu o Marrocos por 1-0 após prolongamento, silenciando a multidão local e revalidando o título de campeão continental.
Um duelo tático sob tensão máxima
Desde os primeiros minutos, ficou evidente que esta não seria uma final comum. O ambiente em Rabat era ensurdecedor, com os adeptos marroquinos a criarem uma pressão constante sobre a equipa senegalesa. Durante os 90 minutos regulamentares, o jogo foi um “xadrez” tático. O Marrocos, com a responsabilidade de anfitrião, assumiu a posse de bola, tentando perfurar a defesa compacta do Senegal através das alas com Hakimi e dos movimentos interiores de Brahim Díaz.
O Senegal, por sua vez, manteve-se fiel à sua identidade: solidez defensiva e saídas rápidas para o contra-ataque. As oportunidades claras foram raras, com os guarda-redes Bono (Marrocos) e Édouard Mendy (Senegal) a responderem com segurança nas poucas vezes em que foram chamados a intervir, arrastando o nulo até aos momentos finais.
Resumo da final dramática
O caos nos descontos e o abandono de campo
O drama atingiu o seu pico aos 97 minutos, já em tempo de compensação. Após uma consulta demorada ao VAR, o árbitro assinalou uma grande penalidade a favor de Marrocos por uma suposta mão na bola dentro da área senegalesa. A decisão gerou revolta imediata. Sentindo-se prejudicados, e num ato de protesto sem precedentes numa final desta dimensão, a equipa técnica liderada por Pape Thiaw ordenou que os jogadores abandonassem o relvado.
O jogo esteve interrompido por cerca de 20 minutos. A incerteza pairou sobre o estádio e sobre os milhões de telespectadores, enquanto oficiais da CAF tentavam mediar a situação. Foi necessário o discernimento dos líderes do balneário, nomeadamente Sadio Mané e Kalidou Koulibaly, para convencer o grupo a regressar e terminar a partida com dignidade desportiva.
A defesa de mendy e a glória no prolongamento
No regresso ao campo, o momento decisivo estava nos pés de Brahim Díaz. O marroquino tentou converter o penálti com um remate em estilo “Panenka”, mas Édouard Mendy, demonstrando uma frieza impressionante, não se moveu e segurou a bola. A defesa foi o ponto de viragem psicológico da final.
O jogo seguiu para o prolongamento com o Senegal moralmente revigorado e o Marrocos abalado pelo erro. A justiça poética para os senegaleses chegou na primeira parte do tempo extra. Pape Gueye, num remate potente e colocado de fora da área, bateu Bono e marcou o único golo da partida. O Senegal segurou a vantagem até ao apito final, celebrando uma vitória que transcendeu o desporto.
Quem é Pape Thiaw?
Figura central na gestão desta crise, Pape Thiaw é o selecionador que assumiu o comando técnico com a difícil missão de manter o Senegal no topo. Antigo avançado internacional, que representou o país no Mundial de 2002, Thiaw fez o seu percurso como treinador nas seleções de base. Ele já havia demonstrado a sua competência ao vencer o CHAN (Campeonato das Nações Africanas) em 2022 com a seleção local. A sua postura firme nesta final, ao defender os seus jogadores contra o que considerou uma injustiça, cimentou a sua liderança e respeito perante o grupo de trabalho e a nação senegalesa.
Caboverde24.info
Fonte: Confederação Africana de Futebol (CAF) / Transmissão Oficial







































