“A voz da ‘Diva dos Pés Descalços’ ecoou na capital francesa, marcando a abertura da nova coleção de inverno da prestigiada marca de luxo“
A moda e a música de Cabo Verde uniram-se num momento histórico no coração de Paris. No passado dia 9 de março de 2026, a Chanel apresentou a sua coleção Outono/Inverno 2026 no icónico Grand Palais, escolhendo a canção “Petit Pays” de Cesária Évora para abrir um dos desfiles mais aguardados do ano. Sob a direção criativa de Matthieu Blazy, a marca francesa decidiu homenagear a nostalgia e a beleza da morna cabo-verdiana perante uma audiência composta pela elite da moda mundial.
Um cenário de construção e tradição
O desfile, intitulado “Work in Progress”, transformou o Grand Palais num cenário que misturava modernidade e tradição. Enquanto gruas coloridas decoravam a passerelle, os primeiros acordes da voz de Cesária surpreenderam os presentes. A escolha da música não foi por acaso: Blazy procurou transmitir a ideia de construção de um novo legado, usando a melancolia reconfortante de “Petit Pays” para equilibrar a estética industrial do cenário.
A presença de Cabo Verde na alta-costura
A inclusão da música de Cesária num evento desta magnitude reafirma o estatuto da cantora como um ícone global que transcende gerações. Para os leitores cabo-verdianos, ver a nossa cultura ser celebrada por uma das maiores casas de luxo do mundo é um motivo de orgulho nacional. A trilha sonora do desfile também contou com temas contemporâneos, como “Just Dance” de Lady Gaga, mas foi a voz de Cize que definiu o tom emocional da abertura.
Cesária Évora
Cesária Évora (1941–2011) foi a figura central da música cabo-verdiana e uma das artistas africanas mais reconhecidas de sempre. Natural de Mindelo, São Vicente, ficou conhecida como a “Diva dos Pés Descalços”. Com a sua voz grave e emotiva, levou a morna e a coladeira aos quatro cantos do mundo, conquistando um Grammy e tornando-se um símbolo da identidade e da “sodade” do povo das ilhas.
O uso da sua obra pela Chanel em 2026 demonstra que o seu impacto cultural permanece intacto, influenciando não apenas a música, mas também as artes visuais e a moda de luxo internacional.
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Fonte: Chanel News / Agence France-Presse (AFP)



















