“Donativos internacionais recuam 1,8% em 2025 num cenário de transição económica”
Cabo Verde atravessa um momento de transformação profunda na sua relação com os parceiros de desenvolvimento. Segundo os dados mais recentes do Banco de Cabo Verde (BCV), consolidados em março de 2026, os donativos internacionais totalizaram 6,7 mil milhões de escudos (aproximadamente 61 milhões de euros) durante o ano de 2025. Este valor representa um recuo de 1,8% em comparação com o período anterior, marcando uma inversão após dois anos de crescimento sustentado.
Este cenário de ligeira retração é interpretado por analistas como um sinal da nova realidade do arquipélago. Sendo agora classificado como um país de rendimento médio-alto, Cabo Verde começa a sentir a redução natural das ajudas a fundo perdido, exigindo uma transição para modelos de financiamento baseados em parcerias estratégicas e investimentos estruturantes.
A estrutura do apoio externo
A ajuda externa continua a ser um pilar de estabilidade para as contas públicas cabo-verdianas. Em 2025, os parceiros bilaterais (governos individuais) foram responsáveis pela maior fatia do apoio, embora se note uma crescente relevância das instituições multilaterais em projetos ligados à sustentabilidade e digitalização.
A União Europeia, o Luxemburgo e Portugal mantêm-se no topo da lista de doadores, focando as suas intervenções em áreas críticas como a educação, a saúde e, mais recentemente, a economia azul.
Principais doadores e volumes de apoio (2025-2026)
Desafios na execução orçamental
A queda de 1,8% nos donativos reflete uma diminuição na componente de ajuda orçamental direta e na receção de equipamentos técnicos. Por outro lado, o país registou um aumento nos donativos em divisas, o que ajudou a mitigar o impacto nas reservas externas. O governo tem trabalhado para garantir que esta redução não afete os projetos sociais em curso, procurando alternativas através de empréstimos concessionais.
Quem é o Grupo de Apoio Orçamental (GAO)?
O GAO é a instância que reúne os principais parceiros internacionais que prestam apoio direto ao Orçamento do Estado de Cabo Verde. Atualmente, o grupo inclui a União Europeia, o Luxemburgo, Portugal, Espanha, o Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Mundial. Este grupo não se limita a fornecer fundos; realiza revisões semestrais rigorosas às políticas macroeconómicas do país, garantindo que os donativos são aplicados com transparência e em prol da boa governação.
O papel vital das remessas
Um fator determinante na resiliência económica de 2025 foi o desempenho da diáspora. Enquanto os donativos institucionais baixaram, as remessas de emigrantes cresceram 3%, atingindo níveis recorde. Este fluxo de capital privado funciona como um amortecedor social, superando frequentemente o valor dos donativos estatais e demonstrando o compromisso contínuo dos cabo-verdianos no exterior.
Perspetivas para 2026: Mar e Energia
Para o ano de 2026, a estratégia de mobilização de recursos está claramente virada para a economia verde e azul. O Banco Mundial aprovou um novo pacote de 13,3 milhões de dólares focado na transição energética, visando reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Paralelamente, novos acordos com a União Europeia prometem modernizar as infraestruturas portuárias, transformando o auxílio externo em investimento produtivo.
Caboverde24.info
Fonte: Banco de Cabo Verde (BCV) e Ministério das Finanças.







































