Crise no setor avícola em Cabo Verde: produção nacional suspensa após tempestades em Portugal

“Sociave interrompe fornecimento de frango devido a cheias na região de Leiria”

A segurança alimentar de Cabo Verde enfrenta um novo desafio com a paragem temporária da maior unidade avícola do país. A Sociedade Industrial de Produtos Avícolas (Sociave) confirmou que a produção de frango nas suas instalações em São Vicente estará interrompida até ao final do mês de abril de 2026. O motivo é externo: as fortes tempestades que assolaram Portugal destruíram infraestruturas cruciais de fornecedores de ovos férteis.

​O mercado de Cabo Verde, que depende fortemente desta cadeia logística para garantir carne de ave fresca, sentirá uma quebra na oferta durante as próximas três semanas. João Santos, presidente da Sociave, explicou que a empresa não tem alternativa imediata para a importação desses ovos, uma vez que os seus parceiros em Leiria foram severamente afetados pelas inundações causadas pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta.

Impacto no mercado de Cabo Verde

Para evitar o desabastecimento total de ovos de consumo nas prateleiras cabo-verdianas, a Sociave lançou no mercado um stock de reserva de 40 mil ovos. Contudo, no que diz respeito ao frango de carne, a normalização apenas deverá ocorrer no final de abril, quando os pintos que já se encontram nos centros de criação atingirem a maturidade necessária para o abate e comercialização.

​Esta interrupção levanta novamente a questão da dependência de Cabo Verde em relação aos mercados externos para produtos base. Embora o processo de incubação e criação ocorra no arquipélago, a base biológica (os ovos férteis) ainda atravessa o Atlântico para chegar às mesas dos cabo-verdianos.

Quem é a Sociave?

A Sociedade Industrial de Produtos Avícolas (Sociave) é a principal referência do setor em Cabo Verde. Com o seu centro nevrálgico em São Vicente, a empresa abastece hotéis, restaurantes e famílias em todas as ilhas. É uma instituição fundamental para a economia nacional, empregando dezenas de trabalhadores e reduzindo a necessidade de importação de frango congelado de longa distância.

​O apelo da administração da empresa e das autoridades locais é para que os comerciantes não aproveitem este hiato na produção para praticar a especulação de preços. A Sociave garante que o ciclo produtivo será retomado assim que as condições logísticas em Portugal permitirem o reinício do envio de matéria-prima para o arquipélago.

Caboverde24.info

Fonte: Lusa / Rádio de Cabo Verde (RCV)

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