Dura reação a um artigo publicado por um órgão de informação nacional

“O Santiago Magazine revela detalhes concretos sobre um pedido de substituição da escolta de Francisco Carvalho — e o MpD responde com veemência, acusando o partido eleito de atacar as instituições.”

O que revelou o Santiago Magazine

​O jornal digital Santiago Magazine publicou, a 26 de maio de 2026, um artigo revelando que o PAICV enviou ao Comando das Unidades Especiais da Polícia Nacional uma missiva a solicitar a substituição do corpo de guarnição do seu presidente, Francisco Carvalho, “que aguarda a posse como Primeiro-Ministro”.

​O documento, assinado pelo secretário-geral do PAICV, Vladmir Silves Ferreira, solicitava que o subcomissário Daniel Lopes Varela, atual adjunto do Corpo de Proteção do Presidente da República, passasse a liderar uma nova equipa de guarda-costas.

​Sem resposta do primeiro destinatário, um segundo requerimento, marcado como “Prioridade: Muito Urgente!”, foi endereçado diretamente ao Diretor Nacional da Polícia, revelando as reservas em relação aos agentes que, ainda na segunda-feira, 25 de maio, tinham viajado com Francisco Carvalho numa missão a Portugal.

As razões invocadas

​O PAICV, na carta, não identificou os nomes dos agentes em causa, mas reconheceu que o grupo “cumpriu com profissionalismo a missão que lhe foi confiada”, invocando, no entanto, a falta de “relação de confiança mútua” como motivo central para o pedido de substituição.

​Segundo o Santiago Magazine, a desconfiança residiria na suspeita de que o chefe do grupo de proteção designado pela Polícia Nacional poderia estar ao serviço de Paulo Rocha, ministro da Administração Interna e ex-diretor do Serviço de Informação da República. Também o condutor/guarda-costas seria visto com reservas por ter sido, durante anos, segurança direta da ministra da Defesa e vice-presidente do MpD, Janine Lélis.

​O jornal acrescentou ainda que, fora da carreira policial, alguns desses agentes estariam envolvidos em alegados atos ilícitos relacionados com transferências de dinheiro provenientes de Angola e num caso de suposto homicídio.

A resposta do MpD

​Um dia depois, a 27 de maio, o MpD emitiu um comunicado assinado pelo seu Secretário-Geral, Agostinho António Lopes, classificando o artigo como “leviano e desprovido de fundamentos” e exigindo que se “refreiem os ânimos” por parte do partido recém-eleito.

​O MpD considerou que acusar publicamente agentes de infiltração política e deslealdade institucional — sem identificar visados nem apresentar provas — constitui um ataque direto à honra e dignidade de todos os elementos das forças de segurança do país. O partido sublinhou que a afetação de escoltas obedece a critérios exclusivamente técnicos e operacionais, da competência da Direção Nacional — e não a preferências partidárias.

O silêncio que também é uma resposta

​O elemento mais revelador desta história pode não estar nos documentos, mas naquilo que não aconteceu: até à data da emissão do comunicado do MpD, nem Francisco de Carvalho nem a liderança do PAICV emitiram qualquer desmentido ou reação pública. O próprio comunicado assinala este facto com clareza. No jornalismo, o silêncio perante uma acusação pública raramente é neutro.

Um recado ao novo poder

​O comunicado do MpD termina com um aviso direto: que o PAICV entenda que “ganhou as eleições para governar o País e não para desmantelar as instituições democráticas do Estado de Cabo Verde.” Uma frase que resume bem a tensão política do momento pós-eleitoral.

Recordamos que…

As eleições legislativas de 17 de maio de 2026 resultaram na vitória do PAICV, liderado por Francisco de Carvalho, encerrando vários anos de governação do MpD. O período de transição tem sido marcado por um clima de tensão crescente entre os dois principais partidos do arquipélago, agora acentuado com este impasse em torno da segurança presidencial neste fecho de maio.

Caboverde24.info

Fonte: Santiago Magazine / Comunicado oficial do MpD, 27 de maio de 2026

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